DEM tem projeto de 4 anos para Kassab, sem concorrer em 2010

Plano é revigorar legenda, que sofre sucessivas derrotas eleitorais, estabelecendo marca em gestões municipais

Marcelo de Moraes, O Estadao de S.Paulo

21 de outubro de 2008 | 00h00

Em ampla vantagem nas pesquisas de intenção de voto do segundo turno eleitoral, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), não concorre apenas à reeleição no próximo domingo. Sua vitória faz parte de um projeto mais amplo de revigoramento nacional do DEM, enfraquecido por uma sucessão de derrotas regionais nas últimas eleições. O chamado "projeto Kassab" prevê a permanência do prefeito no cargo até o fim do mandato, em 2012, sem disputar o governo do Estado.Como ficaria no posto até o fim, ele criaria uma espécie de "marca DEM" em administrações municipais, a ser exibida, a partir da eleição, como um cartão de apresentação da legenda e a ser divulgado pelo País.Além disso, uma vez reeleito, o prefeito de São Paulo se transformará automaticamente na maior estrela do partido e referência obrigatória nas costuras políticas para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010.Para reforçar esse projeto, Kassab e o comando nacional do partido ampliaram a mobilização na reta final de campanha para tentar garantir a maior vitória possível sobre a petista Marta Suplicy.Além de manter o controle da maior cidade do País, o DEM quer capitalizar o simbolismo político de uma vitória com folga sobre uma adversária de grande expressão, como é o caso de Marta, ex-prefeita da cidade e ex-ministra do Turismo, que recebeu, nos dois turnos, o apoio de Lula e da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef."Dentro do DEM, todos já tínhamos a percepção da importância que Kassab tem para o partido. Para nós, ele nunca foi visto como um vice-prefeito de São Paulo que assumiu casualmente a prefeitura com a ida de José Serra para o governo do Estado", destaca o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia. "Sempre o vimos como um político importante, com grande capacidade de articulação e de administração. Mas é evidente que a vitória no segundo turno em São Paulo lhe dará uma enorme visibilidade nacional e também será extremamente importante para o partido", completa.SOBREVIVÊNCIACom o partido perdendo espaço nacional, uma eventual vitória de Kassab representa a perspectiva de sobrevivência sólida da legenda. Em oposição aberta ao governo federal, o partido tem minguado a cada eleição, até mesmo nas regiões onde tinha um grande desempenho eleitoral.Depois de vencer quatro eleições seguidas no Rio, com o grupo político do prefeito César Maia, o DEM fracassou no primeiro turno entre os eleitores cariocas, com a candidata Solange Amaral terminando longe dos adversários, com apenas 3,92% dos votos válidos.O partido também não conseguiu colocar o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, herdeiro político do falecido senador Antonio Carlos Magalhães, no segundo turno das eleições de Salvador, embora tenha liderado as pesquisas de intenção de voto por muito tempo.Assim, São Paulo passou a ser a tábua de salvação nacional para o DEM, especialmente porque as pesquisas do segundo turno apontam a tendência de uma vitória por mais de 15 pontos porcentuais de Kassab sobre Marta. Se esse cenário se confirmar, seria um resultado bem superior ao obtido por José Serra em 2004, no confronto de segundo turno contra a própria Marta Suplicy. Na ocasião, ele derrotou a petista por 9,7 pontos.

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