DEM se reúne para tentar eliminar conflito no partido

Conflito interno aconteceu após morte de ACM e disputa entre Paulo Souto e o petista Jaques Wagner

Tiago Décimo, do Estadão

13 de agosto de 2007 | 18h42

O ex-governador baiano Paulo Souto, hoje presidente do Democratas na Bahia, e o senador correligionário César Borges reuniram-se, durante toda a manhã desta segunda-feira, 13, em Salvador (BA), para tentar eliminar o conflito interno do partido no Estado, protagonizado pelos dois e aprofundado com a morte do cacique da legenda, senador Antonio Carlos Magalhães, no dia 20.  O racha teve início depois que Souto, então candidato à reeleição no Estado - com ampla vantagem sobre seu principal adversário, Jaques Wagner (PT), segundo as pesquisas de opinião - perdeu a eleição para seu concorrente, no primeiro turno.  O resultado, considerado uma derrota do carlismo - soberano no Estado por praticamente quatro décadas ininterruptas -, precipitou a discussão interna no DEM sobre os rumos do partido em seu principal reduto eleitoral e expôs disputas internas. O conflito veio à tona na eleição de Paulo Souto para a presidência estadual do partido, em maio. "Não fui sequer consultado", afirma Borges. Com a morte de ACM, a disputa se acentuou. "O senador tinha liderança, ascendência, aglutinava os grupos dentro do partido e tinha abertura para determinar ações", lembra Borges. "Uma liderança como ACM não pode ser, simplesmente, substituída. Não há mais hegemonia de `A' ou `B'. É preciso, agora, que haja conversa entre as lideranças do partido." Borges diz que a falta de debate é seu principal descontentamento com o grupo que administra o DEM na Bahia, hoje. "Virou uma caixa preta, sem espaço para diálogo, para discussão dos rumos do partido", reclama. Semana passada, o senador ameaçou publicamente deixar a legenda, caso não tivesse espaço nas discussões. Poucos dias depois, foi chamado por Souto para uma conversa. "Agora, estamos num processo de degelo das relações", disse Borges, logo após o encontro com Souto. "É uma tentativa bem-vinda de deixar as coisas às claras, mas me mantenho em compasso de espera, vendo para onde vão evoluir essas conversas. Só vou ficar no partido se eu puder ser ouvido, em uma situação mais confortável." Souto tenta minimizar a crise e evita falar sobre o assunto. Por meio de sua assessoria, disse que a reunião com Borges foi natural, no processo de administração do partido no Estado, proveitosa e que, caso haja alguma eventual insatisfação, ela será resolvida com o tempo.

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