DEM: Se não eleger mil prefeitos em 2008 será ´fim da linha´

O Democratas (ex-PFL) fez as contas e constatou que só continuará no jogo político daqui a quatro anos se conseguir eleger, pelo menos, mil prefeitos em 2008, afirmaram à Reuters políticos da legenda. Ambiciosa, a conta só se realiza caso haja número suficiente de candidatos na disputa municipal. A expectativa é lançar 2.500 nomes, efetivo que o partido ainda não dispõe em suas fileiras. "Precisamos ter mais democratas no Brasil. Ou (o partido) cria 2.500 referências no País e elege mil prefeitos ou será o fim da linha", alertou o deputado Alceni Guerra (DEM-PR). O parlamentar, designado "olheiro" do partido, tem a missão de descobrir potenciais lideranças para o próximo ano. Na última década, o então PFL desidratou e perdeu representação em capitais e governos estratégicos. Agora, afasta-se do tradicional aliado PSDB para voltar a ser competitivo. O objetivo principal é ter condições de lançar um nome à Presidência da República em 2010. "A gente está aprendendo com o PT. No início, a gente ria quando eles lançavam um monte de candidatos, mesmo sem chance de ganhar. Vimos que essa estratégia funciona", disse Alceni. Nas eleições de 1996, a sigla liberal lançou 2.233 candidatos e elegeu 935 prefeitos, puxados pela dobradinha vitoriosa do tucano Fernando Henrique Cardoso e do então pefelista Marco Maciel ao Palácio do Planalto, dois anos antes. O partido aumentou sua marca quatro anos mais tarde. Com 2.303 candidatos, conseguiu eleger 1.027 prefeitos. Ficou em segundo lugar, perdendo apenas para o robusto PMDB, que obteve 1.252 vitórias. Em 2004, no entanto, a base se diluiu. O então PFL lançou 1.759 candidatos e elegeu apenas 790. O desempenho da segunda maior legenda oposicionista do País teve impacto direto na disputa majoritária de 2006, quando o partido só conseguiu emplacar o governo do Distrito Federal, perdendo os tradicionais postos no Nordeste. "Temos que nos preparar para 2010. Temos que ter nomes não só nas grandes como nas pequenas cidades. Não podemos mais ser usados como apoio de outros partidos e precisamos dar oportunidade para que as lideranças se projetem", argumentou o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA). Sem uma base forte, fica mais difícil viabilizar candidaturas nacionais e conquistar representação nas casas legislativas do País. "Isso impede a divulgação dos nossos nomes e não gera tempo de TV para fazer propaganda política", acrescentou Aleluia.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.