DEM retira apoio e pede afastamento temporário de Sarney

Decisão foi consensual, segundo Agripino; partido considera que afastamento garante isenção e credibilidade

Denise Madueño e Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo,

30 de junho de 2009 | 13h50

A bancada de senadores do DEM que se reuniu no início da tarde desta terça-feira, 30, decidiu pedir o afastamento temporário do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), envolvido em denúncias de irregularidades promovidas por atos secretos usados para criar cargos, nomear parentes e amigos e aumentar salários, revelados pelo Estado. O partido considerou que o afastamento é para garantir à opinião pública, a isenção e a credibilidade do Senado. A decisão foi tomada em reunião da bancada no Senado, que teve a presença do presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ).

 

O líder do DEM, José Agripino (RN), defendeu o afastamento de Sarney até que as investigações sejam concluídas. "Se tem um presidente do Senado acusado e no exercício do cargo, pode passar à opinião pública que a investigação não merece fé", afirmou. Agripino já havia antecipado sua decisão em sua página no Twitter. Segundo sua assessoria, é o próprio parlamentar que atualiza o seu microblog do celular.

 

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O senador afirmou que a decisão foi consensual e que após as investigações, se for constatada a inocência de Sarney, ele poderá voltar à presidência, sem problemas, após investigação isenta. Caso seja constatada alguma culpa, arcará com as responsabilidades. "O Democrata foi fundamental para a eleição de Sarney. Toma essa posição não por gosto, mas por interesse em sintonizar com a opinião pública e com o compromisso com a legalidade e a credibilidade com a instituição", afirmou Agripino.

 

O partido não fixou prazo, porém, segundo Agripino, espera que as investigações durem o menor tempo possível. Agripino afirmou que o pedido de afastamento de Sarney não é uma retirada de apoio. "É uma posição clara de desejo de investigação isenta, indispensável para a instituição", afirmou.

 

Mais cedo, antes da reunião, o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), procurou Agripino para tentar convencê-lo a manter a bancada no apoio a Sarney. "Peçam-me tudo, menos que não proteja o meu partido", disse Agripino sobre o pedido de Renan.

 

O DEM tem sido pressionado a ter uma posição de rompimento com Sarney. No fim de semana, Agripino visitou cerca de dez cidades em seu Estado e sentiu a pressão pela saída de Sarney do cargo. Além disso, politicamente, o apoio reiterado e explícito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente do Senado aumenta a pressão pelo rompimento do DEM com o peemedebista.

 

O PMDB faz as contas e considera que não há número para cassação de Sarney. O próprio DEM ocupou a primeira secretaria da Mesa em várias gestões e não votaria contra Sarney com unanimidade, segundo avaliações de peemedebistas. Nesse mesmo entendimento, o partido considera que o apoio de Lula dá garantias a Sarney. Além da força política do presidente Lula, o PT deverá dar apoio ao presidente do Senado a pedido do presidente.

 

A preocupação do PMDB em manter a parceria com o DEM é grande, mas nas conversas de bastidor a cúpula do partido avalia que o fundamental mesmo é o apoio do Planalto. A experiência mostra que, se por um lado a situação de Renan começou a ficar insustentável na presidência do Senado quando o DEM o abandonou, por outro, os peemedebistas avaliam que Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) só foi forçado a renunciar ao cargo quando o governo Fernando Henrique Cardoso retirou-lhe o apoio.

 

Texto ampliado às 14h13

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