DEM questiona acordo MST-Venezuela

Deputado pede no Congresso que ministros sejam convocados para esclarecer convênio entre movimento e governo do país vizinho

ROLDÃO ARRUDA, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2014 | 02h02

O deputado e senador eleito Ronaldo Caiado (DEM-GO) apresentou requerimento na Câmara para convocar os ministros Laudemir André Müller (Desenvolvimento Agrário) e Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores) para prestarem esclarecimentos sobre acordo assinado no fim do mês passado entre o Movimento dos Sem Terra e o governo da Venezuela. Segundo o MST, o acordo visa a troca de experiências entre a entidade e o país vizinho na área de agroecologia.

Caiado disse ao Estado que, a julgar pelas declarações feitas por Elias Jaua Milano, ministro das Comunas e Movimentos Sociais da Venezuela, o acordo constitui uma ameaça aos interesses internos do Brasil. "Pelo que vi, tem mais a ver com formação de milícias. Estão chamando um professor para dar aula de revolução em nosso País", afirmou. A justificativa para a convocação dos ministros é que o governo brasileiro repassa verbas públicas para entidades ligadas ao MST.

O acordo foi assinado durante um encontro entre o ministro venezuelano e lideranças do MST na sede da Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, na Grande São Paulo. A escola, administrada pelos sem-terra, é utilizada principalmente para cursos políticos de formação de lideranças.

O MST não divulgou o encontro e a assinatura do convênio. Mas o governo da Venezuela tratou de veicular informações sobre o fato em seu site oficial e na TV estatal Telesur. Nos dois meios de comunicação foi destacado um trecho do discurso feito por Milano em Guararema, no qual afirma que o intercâmbio de informações visa "fortalecer o que é fundamental em uma revolução socialista, que é a formação, a consciência e a organização do povo para defender o que já conquistou e continuar avançando na construção de uma sociedade socialista".

Foi esse trecho da declaração que motivou a ação de Caiado. Ela surgiu logo após o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), ter protocolado no Ministério da Justiça um pedido de abertura de investigações sobre outro episódio envolvendo o venezuelano.

Arma. No dia 24, antevéspera da votação do 2.º turno, a babá do filho do ministro chavista, Jeanette Del Carmen Anza, foi presa no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, logo após ter sido constatado que ela carregava numa maleta um revólver calibre 38. Ela disse à polícia que a arma pertencia a Milano, que já se encontrava no Brasil.

A babá foi liberada após o ministro reconhecer que a arma pertencia a ele e que o seu transporte se deveu a um "erro involuntário" dela. Mesmo assim Imbassahy quer que o caso seja apurado, alegando a possibilidade de crime contra a segurança nacional e contra a ordem política e social. Ele apresentou o pedido na sexta-feira.

Para Caiado, é preciso analisar a sequência de acontecimentos políticos. "É sintomático que, logo após o discurso de ódio que a Dilma (Rousseff) fez durante a campanha, dividindo o Brasil entre os que não têm poder aquisitivo e os que têm renda, esse representante do governo venezuelano venha aqui promover um curso de revolução socialista com o MST. Para mim, isso está ligado à formação de milícias, a essa quadro de violência e de agressividade que estamos vendo", afirmou.

Procurada pelo Estado, a coordenação nacional do MST não quis se manifestar oficialmente.

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