DEM promete mais espaço a Kassab

Para tentar evitar saída do prefeito, líderes do partido acenam com ampliação de seu poder, mas enxergam pouca chance de sucesso

Marcelo de Moraes e Malu Delgado, de O Estado de S. Paulo

10 de fevereiro de 2011 | 23h00

O DEM aceita abrir espaço na cúpula do partido para aliados do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, caso ele decida manter sua filiação. Apesar da sinalização, que tem sido feita também para outros dirigentes do grupo minoritário da legenda que defende mudanças no comando do DEM, a direção do partido duvida que Kassab aceite um acordo e continua apostando na sua saída.

 

Kassab deve deixar o DEM em março, após encontro nacional da sigla, rumo a PSB ou PMDB. Mesmo sem o prefeito, a ideia do comando do DEM é fazer gestos de conciliação com seus adversários. Na próxima segunda, o líder do Senado, José Agripino Maia (RN), candidato do grupo à Presidência do partido, almoçará em São Paulo com os ex-senadores Marco Maciel (PE) e Jorge Bornhausen (SC), representantes da oposição, com a mesma oferta de acordo e pacificação. Se houver consenso, os dois grupos apoiariam a eleição de Agripino para a sucessão do atual presidente Rodrigo Maia (RJ).

 

"Mais importante que qualquer integrante do Democratas é a unidade do partido. É em torno desse projeto consensual que estamos conversando e trabalhando", afirmou Agripino.

 

Nesta quinta, o líder do DEM na Câmara, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), almoçou em Brasília com Kassab para saber da sua disposição de se desfiliar ou não. ACM Neto disse ao prefeito que a atual direção gostaria muito que ele permanecesse e perguntou se ele estava disposto a isso. Kassab não deu garantias de continuar, já que pretende disputar o governo de São Paulo em 2014 e o DEM, provavelmente, estará alinhado com seu adversário em potencial, o atual governador Geraldo Alckmin (PSDB). Mas avisou que pretende esperar o desfecho do processo de sucessão interna do DEM antes de se movimentar.

 

Na verdade, Kassab não para de se movimentar. Após jantar na noite de quarta-feira na casa do Kassab, do qual participou o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (DEM), o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, ficou mais animado com a possibilidade de ambos ingressarem no partido.

 

Kassab, porém, deixou claro ao governador de Pernambuco que tem duas prioridades: discutir a reformulação da presidência do DEM - processo que deve estar definido até 15 de março - para em seguida medir qual o poder de influência política terá na nova direção, e trabalhar para fazer o seu sucessor na prefeitura.

 

A correligionários e integrantes do PMDB e do PSB, partidos com os quais negocia, Kassab tem revelado que se José Serra (PSDB) decidir disputar a Prefeitura de São Paulo contará com seu apoio, independentemente do partido em que estiver.

 

Segundo relatos de dirigentes do PSB, o prefeito teria sinalizado que a migração dele e de seu grupo político para o PSB é uma perspectiva real caso não consiga acertar os ponteiros no DEM. Entre os seguidores de Kassab no DEM, sobretudo os da ala mais jovem, o PSB poderia ser uma opção mais factível que o PMDB, visto por correligionários do prefeito como um partido bastante regionalizado, com caciques já definidos.

 

Além disso, peemedebistas têm mandado recados ao prefeito, de que não será ele quem definirá as cartas para as sucessões de 2012 e 2014. No PSB, o comando político de Kassab seria mais evidente por uma razão óbvia: o partido não tem estrutura forte montada no Sudeste nem no Sul.

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