DEM prepara expulsão de deputado dono de castelo

Para dirigentes, situação se tornou insustentável politicamente dentro da legenda após descoberta de castelo

Marcelo de Moraes, de O Estado de S. Paulo,

08 de fevereiro de 2009 | 09h19

Pressionado politicamente para renunciar ao posto de segundo vice-presidente e já sabendo que perderá o cargo de corregedor da Câmara, o deputado Edmar Moreira (DEM-MG) provavelmente terá também de procurar um novo partido a partir desta semana. A Executiva Nacional do DEM vai se reunir na segunda-feira, 9, para analisar a situação política do deputado, suspeito de ter ocultado da Justiça Eleitoral a propriedade de um prédio em forma de castelo em Minas Gerais, e tende a aprovar sua expulsão em outra reunião já na quinta-feira. Veja também: Enquete: você fiscaliza os políticos em quem votou?  Todas as notícias sobre o caso Edmar Moreira Para os dirigentes do partido, a situação de Edmar Moreira se tornou insustentável politicamente dentro da legenda depois da descoberta da existência do castelo. Mas o comando do DEM já estava extremamente insatisfeito com Moreira por conta de sua entrada na disputa pela segunda vice-presidência da Câmara. O partido tinha um candidato oficial, o deputado paraense Vic Pires Franco, mas Moreira decidiu se manter na disputa e teve apoio forte em outras legendas (especialmente na bancada do PT), conquistando a vaga. Agora, com o surgimento das denúncias, a Executiva do DEM quer aproveitar para passar as pendências com Moreira a limpo. O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), já tinha divulgado nota na quarta-feira cobrando sua renúncia dos cargos na Câmara, mas sem vincular essa cobrança ao caso do castelo.  A queixa era contra as declarações dadas anteriormente por Edmar defendendo a tese de que o Congresso não tivesse mais poderes para julgar seus membros, posição considerada inadmissível pelo partido. Mas, na verdade, o DEM queria mesmo cobrar de Moreira sua infidelidade à candidatura oficial de Vic Pires . Agora, com a suspeita de que o deputado não declarou o castelo à Justiça Eleitoral, os dirigentes do DEM admitem a possibilidade de expulsão do deputado. "Existe uma clara incompatibilidade dos atos do deputado com o que prega o partido. Mas a Executiva Nacional vai se reunir para discutir sua situação e as punições previstas pelo estatuto vão de advertência até expulsão", afirmou Rodrigo Maia ao Estado.  Monalisa Avaliado entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões, o castelo de Edmar Moreira começou a ser construído no fim da década de 80 e foi concluído no fim de 1993 na cidade de São João Nepomuceno. Chamado de Castelo Monalisa, tem 36 suítes, com hidromassagem e torres - uma delas com oito andares.  Existe a suspeita de que sua construção tenha sido feita baseada na expectativa de liberação do jogo no Brasil, o que nunca ocorreu. Nesse caso, o castelo, com toda sua imponência, funcionaria como um atraente hotel-cassino. O sucesso do empreendimento ainda seria facilitado pela proximidade de cidades importantes, como o Rio de Janeiro, e pela construção futura de um aeroporto localizado a apenas 15 quilômetros do castelo. Sem poder servir a seu suposto propósito, o castelo está à venda há vários anos, sem encontrar comprador. O deputado nega que tenha feito a obra com a finalidade de criar um cassino em suas instalações. Além disso, também alega que não declarou o castelo como seu patrimônio porque teria transferido sua propriedade para os dois filhos, um deles o deputado estadual de Minas Gerais Leonardo Moreira (DEM), em dezembro de 1993. Para tentar salvar pelo menos a segunda vice-presidência, Edmar Moreira aceitou abrir mão da corregedoria da Câmara. Para isso, conversou com o presidente da Casa, deputado Michel Temer (PMDB-SP), na sexta-feira e disse que vai aceitar que o cargo seja desvinculado da segunda-vice. Assim, outro deputado será eleito para a função, reduzindo um pouco a pressão política sobre o parlamentar mineiro.

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