DEM prepara 5ª ação contra Renan

Partido exige explicações sobre denúncia de que teria mandado espionar Demóstenes e Perillo para chantageá-los

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

07 Outubro 2007 | 00h00

O DEM deve apresentar à Mesa Diretora do Senado esta semana a quinta representação contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), pedindo a cassação de seu mandato por quebra de decoro parlamentar. Acusado de mandar espionar os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO), Renan terá de vir a público e prestar esclarecimentos sobre a denúncia, para evitar novo processo. ''''Não podemos entender a notícia como verdade absoluta, mas se impõe que Renan dê explicações sobre esse assunto o mais rápido possível e o (ex-senador) Francisco Escórcio, que é seu funcionário no gabinete da presidência, fale ou seja demitido'''', cobra o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). Escórcio está sendo acusado de participar da operação de espionagem dos dois senadores que estão na linha de frente contra Renan no Conselho de Ética do Senado. A notícia foi publicada na sexta-feira no Blog do Noblat e na revista Veja desta semana. Amanhã mesmo, Agripino vai procurar o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), propondo que os dois partidos avaliem juntos a ''''consistência'''' das explicações de Renan. ''''Se não forem convincentes, vamos entrar com uma representação conjunta'''', antecipa Agripino. ''''Na hipótese de os fatos denunciados serem verazes, trata-se do supra-sumo da quebra de decoro.'''' ''''Esse Renan não tem limite'''', afirma Demóstenes. Ele conta que soube do caso pelo ex-deputado Pedro Abrão (PTB-GO), dono de um hangar de táxi aéreo no Aeroporto de Goiânia. Escórcio defendeu-se e disse que as acusações não têm cabimento. De acordo com a denúncia, é nesse hangar que os supostos ''''arapongas'''' de Renan planejavam instalar câmeras de vídeo para filmar os embarques e desembarques dos parlamentares. O objetivo seria tentar flagrar Demóstenes e Perillo em alguma atividade ilegal, para depois chantageá-los em troca de apoio. Mas Abrão se recusou a participar do esquema e procurou Demóstenes para avisá-lo. ''''Esse pessoal está achando que eu sou bandido, mas eu não sou bandido não'''', disse Abrão a Demóstenes, segundo relato do próprio senador. Abrão garantiu-lhe ter ouvido de Escórcio que a operação envolvia outras pessoas e a idéia era montar um dossiê contra os dois senadores que estavam ''''batendo demais em Renan'''' no Conselho de Ética. ''''O plano só não foi em frente porque o dono do hangar não permitiu'''', insiste Demóstenes. O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), em missão oficial no Uruguai, adiantou que consultará a Polícia Federal para saber se já existe alguma investigação sobre o caso. Se houver apuração em curso, pedirá seu envio à corregedoria.

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