DEM pede revisão da concessão de refúgio político a Battisti

Partido ressalta que o mal-estar diplomático por causa do caso pode afestar relações com União Europeia

Denise Madueño, de O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2009 | 15h12

A Executiva do DEM e a liderança do partido na Câmara enviaram uma moção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo que o governo reveja a decisão de conceder refúgio político ao italiano Cesare Battisti, condenado a prisão perpétua na Itália. O partido ressalta que o mal-estar diplomático entre o Brasil e Itália por causa do episódio poderá afetar, não apenas as relações entre os dois países, como também com a União Europeia.   Veja também: Embaixador volta ao Brasil após consultas na Itália  TV Estadão: Ideologia não influenciou concessão de refúgio, diz Tarso   Abaixo-assinado a favor do refúgio a Battisti Especialista diz que decisão de Tarso foi 'política'  Leia tudo o que já foi publicado sobre o caso    O deputado Paulo Bornhausen (SC), vice-presidente do partido, afirmou que a decisão brasileira já está dificultando as exportações de Santa Catarina para a Itália. Segundo ele, produtores que vendem carne ao país receberam sinais de que a comissão do governo italiano na área sanitária não deverá ir mais ao Estado, como estava previsto, para concluir o processo comercial.   "O governo tem de tomar juízo porque isso pode se estender em toda a Europa. Se houver sanção, além da vergonha, vamos pagar com emprego. Estamos falando de milhões de dólares de venda e milhares de empregos", disse Bornhausen.   O DEM considera que os crimes pelos quais Battisti foi condenado não são caracterizados de "políticos". No discurso que fez ao tomar posse hoje como líder da bancada na Câmara, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) apontou o "mau exemplo" do governo como um dos fatores que provocam uma situação de insegurança no País. "Dá refúgio político a criminoso comum da Itália, dá emprego a parentes de pessoas das Farcs (Forças Revolucionárias Colombianas) e pega dois atletas, homens simples de Cuba, e os transferem para o chefe maior Fidel Castro", afirmou Caiado, referindo-se aos atletas cubanos que, durante os Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro em 2007, pediram asilo político no Brasil, mas foram enviados de volta a Cuba.

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