DEM pede ao MP que investigue possível 'queima de arquivo'

Partido requisitou ao procurador-geral que apure se supostas imagens de Lina no Planalto foram apagadas

Mariângela Gallucci, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2009 | 18h32

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), pediu nesta terça-feira, 25, ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que investigue se o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general Jorge Felix, omitiu informações sobre a suposta reunião ocorrida no final do ano passado entre a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira. Segundo Lina, o assunto do encontro teria sido investigações da Receita em empresas da família do presidente do Senado, José Sarney.

 

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Maia decidiu acionar o procurador após o Gabinete de Segurança Institucional ter divulgado uma nota na qual afirmou que não existem registros do encontro. Dias antes, o deputado federal Ronaldo Caiado(DEM-GO) tinha enviado um requerimento de informação a Dilma Rousseff solicitando dados da agenda oficial da ministra e as gravações do circuito interno e externo do Palácio do Planalto, que monitoram o acesso de veículos e pessoas ao prédio. Segundo o GSI, o período médio de armazenamento de imagens é de 30 dias.

 

O presidente do DEM desconfia que tenha ocorrido uma queima de provas.Se isso de fato aconteceu, ele sustenta que podem ter sido cometido "ao menos em tese" os crimes de supressão de documento e extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento.

 

"O fato é que, segundo a versão contida na nota do GSI, o registro da entrada e da saída da ex-secretaria da Receita Federal do Palácio do Planalto, nos meses de novembro e dezembro de 2008, simplesmente não existe!", sustenta Maia. "Donde ser possível cogitar que os registros contendo a visita da ex-Secretária da Receita Federal à ministra-chefe da Casa Civil (cuja veracidade foi reforçada na audiência pública do Senado Federal) hajam sido propositadamente apagados, uma vez que, segundo a nota do GSI, há, de fato, registros dos meses de novembro e dezembro de 2008, mas deles surpreendentemente não constam o nome da sra. Lina Maria Vieira", concluiu o presidente do DEM.

 

Imagens e contrato

 

O PPS também se moveu nesta terça-feira, 25, visando comprovar se Lina Vieira esteve ou não no Palácio do Planalto para se encontrar com a ministra Dilma Rousseff. Fernando Coruja, líder do PPS na Câmara, apresentou pedido formal ao ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Armando Félix, para que apresente as cópias de segurança (backup) das imagens registradas no Palácio do Planalto nos últimos seis meses de 2008.

 

O requerimento pede também cópia do contrato, celebrado em 2004 para a implantação do sistema de câmeras de vigilância eletrônica, ao qual o GSI se refere para manter as gravações pelo período de apenas 30 dias, e todos os outros contratos de segurança relativos ao Palácio do Planalto. Coruja também requisitou o registro de entradas e saídas de pessoas no Planalto nos últimos seis meses do ano passado.

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