DEM pede a Lula para extraditar italiano

Deputado vê risco até para relações comerciais com União Europeia

Denise Madueño, O Estadao de S.Paulo

05 de fevereiro de 2009 | 00h00

A Executiva do DEM e a liderança do partido na Câmara enviaram ontem uma moção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pedindo que o governo reveja a decisão de conceder refúgio político ao italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália.O partido ressalta que o mal-estar diplomático entre o Brasil e Itália por causa do episódio poderá afetar não apenas as relações entre os dois países, como também com a União Europeia.O deputado Paulo Bornhausen (SC), vice-presidente do partido, afirmou que a decisão brasileira sobre o ex-integrante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo está dificultando as exportações de Santa Catarina para a Itália.De acordo com o relato do parlamentar, produtores que exportam carne ao país receberam sinais de que a comissão do governo italiano na área sanitária não deverá visitar mais o Estado, como estava previsto inicialmente, para concluir o processo comercial."O governo tem de tomar juízo, porque isso pode se estender para toda a Europa. Se houver sanção, além da vergonha, vamos pagar com emprego", advertiu o deputado Bornhausen. "Estamos falando de milhões de dólares de venda e milhares de empregos."''MAU EXEMPLO''O DEM considera que os crimes pelos quais Battisti foi condenado não podem ser caracterizados como políticos.No discurso que fez ontem, ao tomar posse como líder da bancada do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO) apontou "mau exemplo" do governo brasileiro como um dos fatores que geram uma situação de insegurança no País."Dá refúgio político a criminoso comum da Itália, dá emprego a parentes de pessoas das Farc e pega dois atletas, homens simples de Cuba, e os transfere para o chefe maior Fidel Castro", afirmou Caiado. O líder referia-se aos atletas cubanos Guillermo Rigoundeaux e Erislandy Lara, que, durante os Jogos Pan-Americanos no Rio, em 2007, pediram asilo político ao Brasil, mas foram capturados e enviados de volta a Cuba.

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