DEM faz pressão para garantir vice

Aliados dos tucanos reagem a ideia de chapa puro-sangue e cobram direito de indicar parceiro

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2010 | 08h11

SÃO PAULO - No momento em que setores do PSDB pressionam para que a chapa presidencial do tucano José Serra seja puro-sangue, o DEM faz ofensiva para garantir nome ligado à legenda na composição.

 

Em reunião na segunda-feira, 14, com a coordenação da campanha de Serra, caciques do DEM reforçaram a tese de indicar um nome ligado à legenda. Uma vez que o ex-governador Aécio Neves (MG) não quer ficar com a vaga de vice, os aliados dos tucanos avaliam que a indicação deve ser deles.

 

No PSDB, no entanto, as maiores apostas são em torno do presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), e do senador Álvaro Dias (PR). A favor de Dias, está o fato de a sua indicação fortalecer o palanque no Paraná, onde os tucanos tentam fechar aliança com o irmão dele, senador Osmar Dias (PDT), que também flerta com os petistas.

 

"É um direito do PSDB e de algumas pessoas, mas não é isso que estamos ouvindo", comentou ontem o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), sobre setores tucanos que querem a chapa puro-sangue, ao deixar reunião com Guerra. Maia, que estava acompanhado do ex-senador Jorge Bornhausen (SC), negou que o assunto da vice tenha sido tratado na reunião de ontem. "Acho que caminha para o DEM , mas não tratamos disso."

 

O DEM deve ainda ter reunião com Serra para tratar desse tema. Internamente, discute-se o nome do deputado José Carlos Aleluia (BA) e, mais recentemente, tem sido mencionado o de Valéria Pires (PA), mulher do deputado Vic Pires. Essa solução é defendida por ala do PSDB para a qual a vice tem de facilitar a composição nos Estados. A escolha de Valéria facilitaria acordo entre DEM e PSDB no Pará.

 

"Esse final não é fácil", comentou Guerra sobre a tentativa de amarrar as alianças nos Estados que garantam um palanque forte para Serra. O senador voltou a dizer que não recebeu um convite para ser o vice de Serra. "Não dá para recusar convite que não recebi", declarou ao ser questionado se recusaria a indicação.

 

Indagado se a indicação de um vice do tradicional aliado não causaria constrangimento no PSDB, já que o ex-governador do partido José Roberto Arruda foi envolvido no escândalo conhecido como "mensalão do DEM", Guerra desconversou: "Não acho isso relevante."

 

Santa Catarina. No encontro de ontem, PSDB e DEM trataram dos palanques estaduais onde há maior dificuldade para firmar aliança entre as duas legendas. Além do Pará, entraram na pauta Goiás e Santa Catarina, que era um dos principais impasses regionais.

 

O caso catarinense avançou ontem. Lá, a tríplice aliança entre PMDB, DEM e PSDB deve ser reeditada nas eleições de outubro. A composição entre as legendas estava à beira do colapso, já que os três partidos queriam lançar candidaturas próprias.

 

Na segunda-feira pela manhã chegou-se a uma solução em torno do candidato do DEM, senador Raimundo Colombo (DEM), que ficará com a cabeça de chapa. O PMDB deve levar uma das vagas ao Senado e a de vice-governador. Os tucanos ficam com a outra indicação ao Senado.

 

Também com problemas, Goiás deve ser o próximo Estado em que tucanos e democratas tentam uma saída comum.

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