DEM faz convenção hoje e tenta estancar sangria de filiados

Consciente de que saída de Kassab é certa, legenda vai discutir como manter nomes fortes e estabelecer novas prioridades para as próximas eleições

Marcelo de Moraes, de O Estado de S. Paulo

14 de março de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - O DEM homologa nesta terça-feira, 15, o senador José Agripino Maia (RN) como seu novo presidente, na sua convenção nacional, ao mesmo tempo em que o comando do partido opera politicamente para reduzir as dissidências internas. Consciente de que não pode impedir mais a desfiliação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o partido discute agora a tentativa de preservação do vínculo do vice prefeito Guilherme Afif Domingos.

 

Setores do partido defendem a manutenção de Afif, um dos principais quadros do DEM em São Paulo. Esse grupo avalia que se ele seguir Kassab na desfiliação produzirá um desfalque ainda maior da legenda. O problema é que o grupo majoritário do DEM acha que a mobilização faz parte de uma estratégia que seria defendida pelo próprio Kassab.

 

Nessa hipótese, avalia que o prefeito estaria incentivando aliados próximos, como Afif e o deputado Rodrigo Garcia (SP) a se manterem filiados, preservando sua influência na legenda e preparando terreno para a fundação de um novo partido, o PDB.

 

Afif hoje tem um importante papel dentro do DEM em São Paulo, como um dos nomes mais cotados para encabeçar a chapa de sucessão do prefeito.

 

Se permanecer no DEM, essa articulação poderá não receber o apoio do atual grupo majoritário, mais próximo do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

 

Se deixar a legenda, Afif certamente será o candidato bancado pelo prefeito para lhe suceder no cargo. O problema é que o futuro PDB ainda precisará montar toda sua estrutura para enfrentar uma campanha estadual. No DEM, sem Kassab, a atual estrutura municipal será desmontada, embora o partido conserve tempo de televisão e fundo partidário, essenciais para uma campanha.

 

Sem saber o desfecho dessa negociação, a futura direção do DEM tenta aproveitar a convenção nacional para obter um pouco de paz interna. Desgastado pelo mau resultado da eleição, que reduziu sua bancada para apenas 44 deputados e 5 senadores - durante os governos de José Sarney e Fernando Henrique Cardoso chegou a ter mais de cem representantes na Câmara -, o partido quer mudar sua agenda interna e trabalhar novas prioridades para as próximas eleições. Seu foco serão os eleitores da nova classe média, consolidada durante os oito anos de governo Lula.

 

Candidato a vice-presidente da República na chapa de José Serra, o ex-deputado Índio da Costa (RJ) é mais um insatisfeito do DEM que cogita se mudar para o PDB de Kassab. Ele planeja disputar a Prefeitura do Rio. / COLABOROU LUCIANA NUNES LEAL

 

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