DEM e PSDB selam união na Bahia e tentam seduzir PR e PMDB

Aliança é a primeira entre os dois partidos na Bahia e tem objetivo derrotar o atual governador do Estado

Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo,

15 de junho de 2009 | 18h56

Um almoço realizado nesta segunda-feira, 15, em Salvador, selou o acordo entre DEM e PSDB na Bahia, com o objetivo de formar uma aliança para derrotar o atual governador do Estado, Jaques Wagner (PT), na eleição do ano que vem. A aliança, costurada na semana passada em São Paulo, com a participação do governador paulista José Serra (PSDB) nas negociações, é a primeira entre os dois partidos na Bahia.

 

Desde que foi criado, em 1988, o PSDB sempre foi contrário ao grupo chamado "carlista", comandado pelo senador Antonio Carlos Magalhães, principal liderança do então PFL - que passou a se chamar Democratas - na Bahia. "É um acordo histórico", afirma o presidente do PSDB baiano, o ex-carlista Antonio Imbassahy. "A aliança foi longamente negociada e montada sob a perspectiva de fortalecer nossa candidatura ao governo federal."

 

"Era o caminho natural, alinhado com a aliança entre os partidos no País", acredita o presidente estadual do DEM - e virtual candidato da legenda ao governo baiano - Paulo Souto, ex-governador do Estado. "Agora, vamos nos organizar para atrair mais partidos e derrotar qualquer adversário." Souto, porém, ainda não admite a candidatura. "Estamos negociando para montar a chapa mais forte possível."

 

Entre os tucanos, porém, a parceria ainda causa controvérsia. Na tarde de hoje, o presidente da Assembleia Legislativa baiana, Marcelo Nilo (PSDB), entregou sua carta de desfiliação ao partido. Ele alega não concordar com o acordo e afirma que vai apoiar a reeleição de Wagner. Nilo ainda não definiu a que partido vai.

 

Negociações

 

Entre os partidos que a aliança DEM-PSDB pretende atrair na Bahia estão o PR e o PMDB, dois integrantes da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As negociações com o PR estão mais avançadas. O presidente estadual do partido, o também ex-carlista César Borges, passou o fim de semana viajando pelo interior com a cúpula baiana do DEM e participou do almoço de hoje.

 

O próprio Borges considera a aproximação de seu partido com o DEM no Estado "natural", pelo passado dos líderes envolvidos, mas evita a precipitação. "O fato de as candidaturas majoritárias estarem em aberto na chapa facilita as negociações", afirma. "O que nos interessa é participar de uma aliança forte, capaz de vencer eleições."

 

A indefinição sobre os candidatos da chapa ao governo e ao Senado também são apresentados pelo DEM como trunfo para tentar atrair o PMDB - partido capitaneado, no Estado, pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. "Com o PT, ele (Geddel) só tem a opção de disputar uma vaga para o Senado, com a gente ele tem espaço negociar", diz o deputado ACM Neto (DEM). "Vamos intensificar as conversas, que já existem." A liderança do PMDB mantém a disposição de não se pronunciar sobre as negociações.

 

O PT, porém, não acredita que a aliança estadual - que reflete a do governo federal - esteja ameaçada. "Estamos trabalhando não só para manter a atual base, mas para aumentá-la", diz o presidente estadual da legenda, Jonas Paulo. "O eixo da articulação é nacional e é nesse plano que estamos trabalhando."

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