DEM e PSDB 'escondem' voto até o fim

No partido de Maia, 72,4% dos deputados não revelam posicionamento sobre a denúncia contra Temer; metade dos tucanos mantém sigilo

Pedro Venceslau, Valmar Hupsel Filho e Renan Truffi / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2017 | 05h00

Dois dos principais partidos aliados do governo chegam ao dia da sessão que vai analisar a denúncia contra o presidente Michel Temer sem decidir formalmente sobre o tema. Tanto no PSDB quanto no DEM, legenda do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), parlamentares “escondem” o voto até a véspera da decisão no plenário.

O caso mais emblemático é o do DEM: 21 dos 29 deputados da bancada – 72,4% – não responderam seu voto ou se disseram indecisos no placar do Estado. Apenas dois deputados do DEM se disseram a favor da denúncia e cinco contra. 

Já no PSDB quase metade da bancada “esconde” sua opção. Enquanto a ala dos deputados dos “cabeças pretas”, que defendem o rompimento com o governo, se digladia com os “cabeças brancas”, que defendem a manutenção da aliança, 21 dos 46 parlamentares da bancada tucana não quiseram revelar seu voto ou se disseram indecisos.

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Com 45,6% dos tucanos supostamente em cima do muro, os dois lados acreditam que terão a maioria em plenário. Os governistas apostam em uma vitória apertada, enquanto o outro lado prevê 30 votos contra o presidente Temer.

Sem consenso, o líder Ricardo Tripoli (SP) decidiu liberar a bancada, enquanto a Executiva tucana nem sequer se reuniu. Os dois grupos concordam, porém, que o consenso depende hoje de um acordo sobre a sucessão no comando do partido. “Temos hoje um presidente que está, mas não é. E outro que é, mas não está”, disse o ex-governador Alberto Goldman, vice-presidente nacional do PSDB.

Impasse. O presidente licenciado da sigla, senador Aécio Neves (MG), defende a manutenção da aliança com Temer. Já o presidente em exercício, senador Tasso Jereissati (CE), prega o desembarque. A reportagem do Estadão/Broadcast apurou que Jereissati não quer mais ficar à frente da legenda. Uma das razões seria a reaproximação entre Aécio e o Palácio do Planalto. No fim de semana passado, Aécio participou de uma série de reuniões com Temer e Maia. 

“Não há como unificar a posição antes de resolver o problema da direção. O PSDB perdeu a chance de se diferenciar dos demais partidos”, disse o deputado Daniel Coelho (PE), líder dos “cabeças pretas”.

Preso vai votar por arquivamento. O deputado Celso Jacob (PMDB-RJ), preso em regime semiaberto, disse ontem em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre, que vai votar pelo arquivamento da denúncia contra o presidente Michel Temer. “É melhor para o País”, afirmou. (Lucas Rivas, especial para O Estado)

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