DEM e PSDB ajudaram a salvar Renan Calheiros, diz petista

Ideli Salvatti diz que o PT não pode ser o único responsabilizado pela absolvição do presidente do Senado

Fabio Graner

13 Setembro 2007 | 11h05

A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti, disse nesta quinta-feira, 13, que o PT não pode ser o único responsabilizado pela absolvição do senador Renan Calheiros. "Aquele placar não seria possível sem a participação de parlamentares do DEM e PSDB, e não foram poucos.Todos sabem que houve votos contra também no PT", acrescentou.    Veja também:Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  'Absolvição macula política brasileira', diz especialista  Galeria de imagens: confusão, soco e discussões Senado precisa voltar a funcionar, afirma Lula'Ganho, e ganho bem', disse Renan confiante antes da votaçãoConfusão, soco e discussões marcam 'julgamento'   Blog do Piza: Indecorosa absolvição   'Calvário não é só de Renan, é do Senado'PT nega articulação para absolver Renan 'Vou para a igreja rezar', diz Renan após absolvição Absolvição 'é vitória da democracia', diz Renan em nota Deputados e senadores trocam socos antes de sessão Ouça áudio do tumulto no Senado  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado Enquete: você concorda com a absolvição de Renan?  A senadora afirmou que é preciso agora como fica o ambiente político no Senado, e quais são os próximos passos, já que há informações circulando de que Renan Calheiros poderia se licenciar por alguns dias.   O senador Renato Casagrande, um dos relatores no processo julgado na última quarta disse, por sua vez, que os culpados pelo resultado de  foram o corporativismo e a falta de sintonia do Senado com a sociedade. Em relação aos argumentos de que as abstenções foram justificadas pela falta de provas, Casagrande afirmou que tal argumento é de quem não lê os relatórios e é "inaceitável". O senador disse que a crise, depois da sessão de ontem, continua "acampada no Senado".  Renan foi absolvido -da acusação de ter despesas pessoais pagas por um lobista ligado à construtora Mendes Junior- por 40 votos, contra 35 votos pela condenação e 6 abstenções. A decisão dos senadores foi em sessão e votação secretas. Com isso, Renan continua senador por Alagoas e na presidência da Casa.  O senador, no entanto, é alvo de mais três representações, duas já no Conselho de Ética. Ele é acusado de beneficiar a cervejaria Schincariol, ser dono oculto de duas emissoras de rádio em Alagoas e de participar de um suposto esquema de propina com integrantes do PMDB.  Repercussão O  presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta, em Copenhague, na Dinamarca, que o importante, depois da absolvição do presidente do Senado, é que a Casa volte a funcionar com normalidade, para votar projetos de interesse do País. "Temos a CPMF, temos a reforma tributária, temos coisas de interesse do brasileiro. É isso que conta na realidade", disse o presidente, ao chegar para o primeiro compromisso em Copenhague, com empresários dinamarqueses.  Na noite da última quarta, Lula preferiu não comentar o resultado da votação. O senador José Nery (PSOL-PA) lamentou a decisão do Senado nesta quarta-feira (12) de absolver o senador. Em entrevista concedida  à reportagem da Rádio Jovem Pan de São Paulo, o parlamentar declarou que os seis votos de abstenção que definiram o caso foram "covardes". "Não é possível que, com toda a tramitação do processo, com um relatório contundente, seis senadores ainda se abstiveram", salientou. Nery avaliou que o Senado, ao absolver Renan, ignorou o "clamor da nação", que pede o fim da impunidade. "Isso representa a impunidade que os brasileiros querem ver sepultada. Ontem, o Senado não ouviu o clamor de justiça! Ontem, o Senado fechou os olhos para a Nação!", lamentou.  Nesta quinta, o PSOL vai procurar as lideranças da Casa para dar continuidade às outras três representações contra o presidente do Senado, Renan Calheiros. "Duas dessas três representações inclusive já estão no Conselho de Ética. Vamos trabalhar no Conselho de Ética para que essas três representações sejam agrupadas em um único processo".    

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