DEM desiste de caçar traidores na bancada

Oposição admite que senadores não votaram unidos, mas culpa base aliada pela absolvição

Marcelo de Moraes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2014 | 00h00

Os partidos de oposição sempre souberam que não tinham mais que 35 votos garantidos na sessão de quarta-feira. Senadores do PSDB e do DEM reconhecem que não conseguiram apoio total de suas bancadas, mas não pretendem apurar quem votou contra a cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). E responsabilizam a base governista - em especial o PT - pela absolvição."Como vou promover uma caça às bruxas, se nem sei quem são as bruxas?", argumentou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), lembrando que os votos foram secretos."A bancada governista teve contribuição decisiva para absolver Renan. Pode ter havido voto a favor dele vindo do DEM e do PSDB, mas foram muito poucos e até com caráter de sobrevivência política pessoal", disse o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). "Na base governista e no PT foi diferente. Houve uma ação articulada para ajudar a manter o mandato de Renan, que é aliado do presidente Lula."Dois senadores do DEM foram citados, nos bastidores, como votos pró-Renan: Edison Lobão (MA) e Adelmir Santana (DF). Lobão pertence ao grupo de José Sarney (PMDB-AP), que defendeu abertamente a absolvição. Santana entrou na lista por ter cumprimentado Renan efusivamente no fim da sessão. Nenhum dos dois declarou que apoiava a cassação. Como a bancada não fechou questão, votos pela absolvição não contrariaram a decisão partidária.O PSDB fechou questão, mas também admite que houve baixas. Uma já é pública: a de João Tenório (AL), suplente do governador de Alagoas, Teotônio Vilella, um dos principais aliados de Renan no Estado.Há a suspeita de que Flexa Ribeiro (PSDB-PA) tenha apoiado Renan. Na véspera da votação, ele foi elogiado seguidas vezes no plenário pelo presidente do Senado, que se mobilizou para ajudá-lo a fazer uma exposição e uma sessão de homenagem ao Círio de Nazaré, a maior festa religiosa do Norte.Apesar disso, os tucanos culpam diretamente o PT pelo fato de Renan preservar seu mandato. "O PT foi responsável. Os votos deles absolveram Renan. A abstenção foi orientação partidária. Não tenho provas disso, mas é o que a lógica diz. O PT sempre acusou o PSDB de ficar em cima do muro. O muro, hoje, são eles. O muro do naufrágio", criticou Sérgio Guerra (PE).

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