Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

DEM articula para comandar Conselho de Ética da Câmara

Escolha de nome do partido, no entanto, sofre resistência porque a sigla já comanda as duas Casas Legislativas

Renato Onofre, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2019 | 05h00

BRASÍLIA - Dois meses depois de iniciado os trabalhos no Legislativo, a Câmara e o Senado ainda não instalaram seus Conselhos de Ética, colegiados responsáveis por julgar a conduta de deputados e senadores em processos que podem resultar até mesmo em cassação de mandato.

Na Câmara, o DEM tenta assumir a presidência do conselho. O apetite do partido – que já tem os comandos das duas Casas Legislativas – explica a demora na instalação do colegiado. A “concorrência” diz que seria poder demais nas mãos do DEM.

Também há demora dos partidos na indicação de seus representantes. Dos 17 com direito a assento no Conselho de Ética, apenas seis indicaram seus representantes até agora.

A sigla tenta emplacar o deputado Juscelino Filho (MA), que está no segundo mandato. Ele rebate a tese de que sua eleição daria ao partido o controle dos cargos mais importantes na Câmara. O conselho já cassou mandatos de deputados experientes como Eduardo Cunha (MDB-RJ) e José Dirceu (PT-SP). “É natural que cada um pleiteie a vaga, como estou fazendo pelo DEM. É uma decisão de partido. Temos vontade de manter o comando do colegiado”, disse Juscelino Filho ao Estado.

O deputado negou que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), trabalhe nos bastidores por sua candidatura, como acusam adversários. “Ele me desejou boa sorte e pediu para que eu construísse um entendimento. E só”, afirmou.

A principal resistência está entre os partidos de oposição e no PSL do presidente Jair Bolsonaro. Mas a escolha de um nome do DEM não é unanimidade nem mesmo entre os líderes do bloco da maioria – formado por PSL, PP, PSD, PR, MDB, PRB, PSDB, DEM e PTB. “Temos ainda que ver a composição final do conselho para decidir quem é melhor”, disse uma liderança.

Até o momento, apenas uma representação foi feita à Mesa Diretora da Câmara. Em 22 de março, o PSDB protocolou representação contra o deputado coronel Tadeu (PSL-SP), por suposta quebra de decoro. O parlamentar chamou o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, presidente do PSDB, de “assassino” e sugeriu que ele tinha ligação com a facção criminosa PCC. O caso está parado na Mesa Diretora. / COLABORARAM CAMILA TURTELLI e MARIANA HAUBERT

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