DEM ameaça suspender apoio a peemedebista

Para a sigla, denúncia sobre empresa do neto é grave e merece explicações

Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

O DEM ameaça abandonar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e entregá-lo à própria sorte caso ele não dê "esclarecimentos convincentes" sobre a atuação de uma empresa de seu neto, José Adriano Cordeiro Sarney, no agenciamento de empréstimos consignados a funcionários da Casa.Em conversas reservadas com Sarney ontem, o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), garantiu-lhe que a bancada peemedebista vai se manter firme em seu apoio, a despeito das dissidências de sempre - os senadores Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE). Mas, sem os 13 votos do DEM, o maior aliado do PMDB no Senado, Sarney corre o risco de perder a cadeira de presidente."Esta denúncia é grave e tem de ser explicada à opinião pública e à Casa", disse ontem o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), para quem está "nas mãos dele, Sarney, a manutenção do apoio não só do DEM, como da Casa".Um dirigente nacional do partido explica que não há interesse em derrubar o presidente do Congresso, mas ele tem de "ajudar" o DEM a manter seu apoio. Segundo o dirigente, o entendimento geral é que a sucessão de denúncias envolvendo familiares de Sarney está tornando a situação "insustentável".A estratégia do PMDB é segurar Sarney no cargo pelas próximas duas semanas, até o recesso parlamentar de julho, que começa no dia 18. Sarney conta com o fator Lula, que não só contribui para aplacar a opinião pública como força o PT a seguir a linha do Planalto, em sua defesa. Mas não será tarefa fácil mantê-lo na cadeira. O DEM já avisou que aguarda o desdobramento do caso até segunda-feira e que não negociará prazo algum com o PMDB se não houver argumentos convincentes.Um amigo de Sarney conta que ele está "muito abalado física e emocionalmente". Um peemedebista experiente acredita que, neste momento, a maior vantagem do PMDB na administração da crise é o temor geral do clima de vingança que sempre se acentua em tempos de sucessão. Além disso, os principais partidos do Senado - DEM, PSDB, PT e PMDB - têm suas fragilidades e temores de enfrentar a guerra de mais um processo sucessório.No PMDB, Sarney conta com a força de Renan e também se beneficia da dificuldade de encontrar um eventual substituto na bancada peemedebista. O PT também tem receio de uma nova eleição. Acha que a guerra política ficaria insustentável e envolveria facções de todos os partidos contra os petistas.O PSDB, por sua vez, receia entregar a presidência ao primeiro vice-presidente Marconi Perillo (GO), temeroso de que o tucano vire alvo e se converta em "bola da vez", por conta dos processos movidos contra ele ao longo dos oito anos em que governou Goiás. Como a política goiana está muito tumultuada e seu grupo está brigando até com o sucessor que ele próprio ajudou a eleger - o governador Alcides Rodrigues (PP) -, o vice é chamado nos bastidores de "Marconi Perigo".

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