DEM ameaça obstruir pauta se presidente não se afastar

O partido e o PSDB também voltam ao Conselho de Ética contra senador

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2007 | 00h00

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), cobrou ontem do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que se licencie e ameaçou obstruir os trabalhos enquanto ele continuar no cargo. "Vou propor que nós não votemos mais nada sob a presidência do senador Renan", afirmou, da tribuna.Ele e o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), acham que o Senado não pode mais ser presidido por um parlamentar que a todo momento está sendo obrigado a se explicar. A obstrução na votação de matérias serviria "para não passar ao País a imagem de que o Senado está em paz", segundo Agripino. "Não estamos em paz coisa nenhuma, estamos constrangidos e muito, perante nós mesmos e perante a sociedade", afirmou. "Eu não vou abrir mão da preservação da dignidade da Casa para o qual fui eleito."Para Virgílio, o Senado vive crise tão grave que "está em marcha batida para um processo de enorme desgaste". Apesar disso, ele não está muito disposto a paralisar os trabalhos da Casa, alegando que seu partido tem um compromisso, com os pequenos empresários, de votar o projeto de lei que altera o Super-Simples. "A casa tem sangrado todo dia um pouco, não estamos mais conseguindo deter a hemorragia, mas temos um compromisso a cumprir."Em reuniões separadas, as bancadas dos dois partidos vão formalizar hoje a decisão de pedir ao Conselho de Ética que investigue a denúncia de que Renan teria usado parentes e servidores do Senado como laranjas na compra de um jornal e duas rádios. Também vão decidir se obstruem os trabalhos para pressionar por sua renúncia.Outro problema para Renan hoje é que a Mesa Diretora do Senado se reúne às 10 horas para decidir se envia ao Conselho de Ética a representação em que o PSOL pede que seja investigada a ligação do senador peemedebista com a fábrica de bebidas Schincariol. Segundo a revista Veja, Renan teria atuado no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e na Receita Federal em favor da empresa - que pagou R$ 27 milhões por uma fábrica de refrigerante pertencente a seu irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), que estava prestes a fechar. Para o segundo-secretário, Gerson Camata (PMDB-ES), não cabe à Mesa Diretora opinar sobre o mérito de nenhuma denúncia. "Nossa missão é mandar a denúncia para a corregedoria e para o conselho", explicou. "É um problema deles e não nosso." Camata disse que hoje mesmo vai apresentar emenda ao regimento interno do Senado excluindo de uma vez por toda a necessidade de a Mesa se manifestar sobre denúncias contra parlamentares.O futuro de Renan depende ainda da perícia que está sendo realizada pela Polícia Federal nos documentos em que nega envolvimento com a empreiteira Mendes Júnior. Notas fiscais e recibos do "pacote" teriam sido forjados para mostrar que ele teve rendimentos de R$ 1,9 milhão em quatro anos. REPERCUSSÃO"Não há razão para afastamento. As denúncias não dizem respeito à administração da Casa e, até agora, ninguém conseguiu uma prova sequer contra ele"Almeida Lima Senador (PMDB-SE)"Sinto que, a cada dia que passa, ele está perdendo o controle da situação. Ele deveria se afastar já, pelo menos, da presidência do Senado"Pedro Simon Senador (PMDB-RS)

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