Delúbio já tem os votos para retornar ao PT

Maioria da cúpula do partido apoia anistia ao ex-tesoureiro e deve aprovar refiliação em abril

Vera Rosa, de O Estado de S. Paulo

17 de março de 2011 | 23h00

RASÍLIA - A cúpula do PT já se prepara para aprovar a anistia ao ex-tesoureiro Delúbio Soares na reunião do Diretório Nacional, em 29 e 30 de abril. Se a votação fosse hoje, ele teria apoio de 59 dos 84 membros do diretório, segundo apurou o Estado (70,2% do total).

 

O perdão a Delúbio faz parte de uma estratégia ampla, que inclui a campanha pela reforma política, liderada no PT pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a simpatia do Palácio do Planalto. O objetivo é usar o discurso da reforma como salvo-conduto para o retorno de Delúbio, expulso do partido em 2005.

 

"O PT tem um lado forte cristão e sabe perdoar. Por isso, mais de 70% são pela volta do Delúbio", afirmou o deputado Jilmar Tatto (PT-SP). "Ele cometeu erros, foi punido e agora o clima é tranquilo. Ninguém quer briga."

 

Em reunião da Executiva Nacional, nessa quinta-feira, 17, o PT abriu caminho para empunhar essa bandeira ao criar um comitê que tentará quebrar resistências ao financiamento público das campanhas eleitorais. Composto por dirigentes do partido, senadores e deputados, o comitê vai produzir uma cartilha sobre pontos polêmicos da reforma política.

 

"Vamos convidar Lula para encabeçar o movimento em defesa do financiamento público, do voto em lista e da fidelidade partidária", contou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). Lula batizou a maior crise de seu governo, em 2005, como "farsa do mensalão" e prometeu desmontá-la o quanto antes.

 

Embora Costa diga que o movimento pela reforma política não tem ligação com a anistia a Delúbio, o PT quer deixar implícito que os réus do processo do mensalão - em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) - foram injustiçados. O argumento é o de que não houve pagamento em troca de apoio ao governo, mas caixa 2 de campanha. Assim, Delúbio seria só mais um operador de um sistema falido - o financiamento privado das campanhas.

 

No mosaico ideológico do petismo, os votos contrários a Delúbio vêm de correntes como a Articulação de Esquerda e de uma parte da Mensagem ao Partido, considerada de centro. Em conversas reservadas, o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira disse que pedirá para voltar, se Delúbio for perdoado. Pereira pediu desfiliação em julho de 2005, após a descoberta de que aceitou um Land Rover de um empresário que prestava serviço para a Petrobrás.

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