Delgado diz ter votos suficientes para destituir líder do PSB na Câmara

Partido vive crise por causa do racha da bancada entre grupo pró-Temer e o de oposição

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2017 | 10h43

BRASÍLIA - O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) acusou nesta manhã de quarta-feira, 18, a ala governista do PSB de estar manobrando para manter a líder Tereza Cristina (MS) no cargo. Delgado informou que o grupo oposicionista do partido já tem assinaturas suficientes para destituir a líder nesta quarta.

Segundo o deputado, a exoneração dos ministros Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) e Raul Jungmann (Defesa) ajudou a tirar da bancada dois parlamentares do PSB que estavam no exercício do mandato: Severino Ninho (PE) e Creuza Pereira (PSB). Ninho e Creuza, que são suplentes, integram a lista dos 19 deputados do PSB que assinaram o pedido de destituição da líder. A bancada do PSB na Câmara é formada por 37 parlamentares.

Oficialmente, Coelho e Jungmann retomaram o mandato parlamentar para garantir a apresentação de emendas individuais ao Orçamento de 2018. O retorno dos ministros ainda não foi formalizado na Câmara.

Delgado disse que pretende protocolar nesta manhã, na Secretaria-Geral da Mesa Diretora, a lista pedindo a saída de Tereza da liderança, antes que os ministros reassumam o mandato. Se eles assumirem a função antes do protocolo da lista, as assinaturas de Ninho e Creuza serão desconsideradas.

RACHA 

O PSB vive uma crise interna por causa do racha na bancada, dividida entre o grupo pró-Michel Temer e o grupo de oposição ao governo. Essa divisão fica mais evidente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde o partido tem quatro vagas. No colegiado, dois votam a favor do arquivamento da denúncia e outros dois pela admissibilidade do pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). A direção do partido fechou questão a favor da denúncia, mas só Delgado e Tadeu Alencar (PE) seguirão a determinação partidária.

Se Tereza for destituída, Delgado trabalha para assumir a vaga. A ideia é tirar da CCJ os deputados Danilo Forte (PSB-CE) e Fábio Garcia (PSB-MT), os governistas que são titulares na comissão.

Tereza, Danilo, Fábio e o ministro enfrentam um processo de expulsão do partido. A saída forçada dos filiados só não se concretizou na segunda-feira, 16, porque o Tribunal de Justiça do Distrito Federal manteve uma liminar proibindo o PSB de expulsá-los.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.