Delegados da Polícia Federal fazem protesto em São Paulo

Categoria pede por reposição salarial e critica a inércia do governo para resolver a situação

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2012 | 17h46

Em manifestação realizada nesta quarta-feira, 15, na praça em frente ao edifício-sede do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF3), na avenida Paulista, delegados da Polícia Federal protestam por reposição salarial e contra a inércia do governo. "Estamos pleiteando reposição inflacionária pelo IPCA, que é o menor índice, porque entendemos o momento do País e as preocupações do governo", argumenta o Sindicato dos Delegados da PF em São Paulo.

Integram o protesto, com buzinaço e apitaço, outras carreiras da PF e de outros segmentos do Executivo e do Judiciário.

Os delegados destacam que a PF, nos últimos 10 anos, tornou-se uma "agenda positiva" do governo porque suas operações de combate à corrupção e aos desvios do Tesouro têm grande impacto e repercussão até fora do País.

Eles citam exemplos. Recentemente, em São Paulo, uma simples missão de busca da Delegacia de Combate aos Crimes Financeiros resultou na apreensão de R$ 1,5 milhão, dinheiro revertido para os cofres da União. Em outra missão, que levou à prisão um grupo de auditores da Receita, a PF encontrou US$ 2,5 milhões e R$ 2,5 milhões em dinheiro vivo.

Os delegados estenderam uma faixa na porta do TRF3 e pedem valorização profissional e o "fim dos cortes de verbas para as operações da PF".

Os delegados alertam que "o governo prefere manipular a opinião pública para se esquivar de cumprir a Constituição e tem divulgado subsídios brutos, sem os descontos legais, pagos aos seus servidores".

"O governo federal prefere esquecer que investir na Polícia Federal significa evitar que bilhões de reais sejam desviados anualmente dos cofres públicos pela criminalidade organizada", diz panfleto distribuído pelos delegados.

Eles distribuíram cópias do texto "O valor de um delegado federal", subscrito pelo presidente da Associação Nacional dos Delegados da PF, Marcos Leôncio Sousa Ribeiro. "O governo tem alegado, com frequência, que os salários pagos pelo serviço público estão muito acima do que se paga na iniciativa privada, tentando vender uma imagem de casta privilegiada. Entretanto, esse é um jogo que não conta com sustentação empírica."

Segundo Sousa Ribeiro, a Lei de Acesso à Informação revelou as discrepâncias gritantes das remunerações do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. "O cargo de delegado de Polícia Federal chega a remunerar menos do que serviços de nível fundamental do Senado, onde há copeiros, motoristas e ascensoristas recebendo R$ 16,9 mi."

"O discurso vazio e sem lastro do Executivo começa a ruir", sustenta o líder dos delegados federais. "Sobretudo na segurança pública, onde estão as piores avaliações do governo federal."

Os delegados assinalam, ainda, que pesquisa Sensus deste ano mostra que 19 delegados federais a cada grupo de mil possuem título de doutorado - valor superior à média de países como a Alemanha (15,4) e Estados Unidos (8,4).

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