Delegados da PF pressionam por reposição salarial

Os delegados denunciam 'falta de estrutura e de recursos humanos' e tentativas de acabar com aposentadoria

Fausto Macedo - O Estado de S. Paulo,

20 Junho 2012 | 21h00

SÃO PAULO - Reunidos em São Paulo, delegados da Polícia Federal discutiram o que chamam de "sucateamento da instituição" e "descaso do governo em relação aos pleitos da categoria".

Em assembleia realizada na última segunda feira, 18, os delegados debateram "a falta de empenho na aprovação de leis que assegurem prerrogativas para o trabalho independente e imparcial dos delegados federais".

A reunião ocorreu no auditório da Superintendência Regional da PF em São Paulo. Cerca de 50 delegados participaram da assembleia.

Os delegados denunciam "falta de estrutura e de recursos humanos, tentativas de acabar com a aposentadoria policial e a demora do governo em promover a reposição de perdas inflacionárias".

Segundo Amaury Portugal, presidente do Sindicato dos Delegados da PF em São Paulo, a classe está insatisfeita "com o tratamento recebido do governo".

"Os delegados temem que, caso não haja ações concretas no sentido de fortalecer a Polícia Federal, o País não estará em condições de receber a contento os grandes eventos da Copa do Mundo e das Olimpíadas", declarou Amaury Portugal.

Ele disse que manifestações previstas durante a RIO+20 foram adiadas porque os delegados entendem a importância estratégica do evento para o País. "O adiamento dessas manifestações também se deu porque os delegados ainda acreditam nas palavras dos ministros da Justiça e do Planejamento de que os pleitos serão resolvidos até o fim de julho", disse o presidente do Sindicato dos Delegados da PF/SP.

"Caso contrário a classe promete se engajar em movimentos de protesto para demonstrar à população que o governo não quer a Polícia Federal forte no combate ao crime organizado e não valoriza o órgão que é um dos mais respeitados do País", alerta Portugal.

"A insatisfação é muito grande", avalia. "Viaturas sem manutenção, pouca verba. Na fronteira a situação é crítica. Eu até fico preocupado porque tenho entendimento muito bom com o Ministério do Planejamento, mas o descontentamento é enorme."

Amaury Portugal informou que o Ministério do Planejamento, em 2011, calculou em 14,7% o volume de perdas salariais dos federais. "Não houve prosseguimento nas negociações, estimo que hoje a reposição deve ficar próxima dos 30%."

Segundo o delegado da PF, o secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, explicou que por ordem do ministério e da presidente Dilma Rousseff todas as negociações com categorias do funcionalismo federal estariam suspensas até o término da RIO +20.

Amaury Portugal disse ter informações de que Dilma estaria preocupada com movimentos reinvidicatórios de diversos setores do uncionalismo, não apenas da PF. Segundo ele, a presidente teria dito que seria desagradável se ela fosse a Washington e os policiais do FBI estivessem panfletando e fazendo movimento contra o governo americano. "Essa é uma vergonha que ela não gostaria de passar no Brasil", comentou Amaury Portugal.

 
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