Delegados da equipe de Protógenes voltam ao caso Dantas

Eles haviam decidido se afastar do caso diante da forte pressão da cúpula da PF, mas agora retomam trabalhos

Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2008 | 21h27

Uma longa reunião, na sede da Polícia Federal em São Paulo, reconduziu à missão Satiagraha os delegados Carlos Eduardo Pelegrini Magro e Karina Murakami Souza. Os dois integram a equipe de  Protógenes Queiroz , comandante da investigação que levou o banqueiro Daniel Dantas para a prisão.   O apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi suficiente para trazer o delegado Protóegenes ao comando do inquérito da Operação Satiagraha. Em entrevista no Planalto na quarta-feira, Lula classificou de "insinuações" e "mentiras" versões de que o afastamento de Protógenes, anunciado na terça-feira, teve razões políticas. "Já falei com o ministro Tarso Genro para conversar com a Polícia Federal porque esse delegado tem que ficar no caso", disse o presidente. "Moralmente, esse cidadão tem de ficar no caso até terminar esse relatório e entregar ao Ministério Público, a não ser que ele não queira", afirmou.   Veja também: Ouça trechos da reunião que decidiu a saída do delegado  Lula pede 'clareza' e PF divulgará diálogo da saída de delegado Lula cobra volta do delegado Protógenes ao caso Dantas Lula teria sido alertado do risco de afastar Protógenes Em nota, PF reafirma que Protógenes pediu para sair Apesar do apelo de Lula, Protógenes deixa caso Dantas na sexta Juiz aceita denúncia e Daniel Dantas vira réu por corrupção ativa Leia íntegra da decisão do juiz que aceitou denúncia  PF anuncia Ricardo Saad como substituto de Protógenes Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003  As prisões de Daniel Dantas    Eles haviam decidido se afastar do caso diante da forte pressão da cúpula da instituição, que os puniu com o rótulo da insubordinação - o comando da PF alegou, inicialmente, que o grupo de Protógenes teria se recusado a fornecer detalhes da grande operação, inclusive se negando a revelar os nomes dos alvos.   Após a saída de Queiroz,  na quarta-feira, Roberto Troncon, o número 1 da Divisão de Combate ao Crime Organizado, unidade de elite da PF,  veio de Brasília, por ordem da direção-geral, especialmente com a missão de apaziguar ânimos e evitar desgaste maior à PF.   Troncon se encontrou então com Pellegrini e Karina e ponderou aos dois delegados que estava em jogo a imagem e a credibilidade que a corporação conquistou nos últimos anos, por meio de operações bem-sucedidas na caçada a empresários, autoridades e políticos acusados de corrupção.     Ao final do encontro, os dois delegados federais se disseram convencidos da importância de retomarem a investigação a partir da análise de documentos e CDs recolhidos em 56 endereços vasculhados sob o comando de Queiroz, com base em autorização emitida pelo juiz Fausto Martin De Sanctis, titular da 6 ª Vara Federal.

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