Delegado tem suspeito da morte de assentado em AL

Trabalhadores rurais, ligados ao Movimento dos Sem-terra (MST), participaram, nesta quarta-feira à tarde, em Branquinha, a 80 quilômetros de Maceió, da missa de sétimo dia do vice-presidente do Assentamento Eldorado dos Carajás, Sebastião Agrísio da Silva, 44 anos, assassinado com dois tiros de espingarda, na última quinta-feira, 25 de julho. Eles pediram pressa na apuração do crime, que tem conotações políticas. O delegado de Branquinha, Robson Coutinho, investiga a possibilidade da morte de Sebastião Agrísio estar ligada à sua posição contra a renegociação de uma dívida de R$ 800 mil contraída junto ao Banco do Nordeste, pela diretoria anterior da Associação do Assentamento. Coutinho investiga ainda a ligação do crime com uma desavença entre os assentados egressos do MST e aqueles que compraram lotes dos sem-terra. Coutinho disse que vai convocar para depor um ex-vereador de Murici, conhecido por Anizão, apontado como suspeito do crime, porque teria discutido com Sebastião Agrísio durante uma reunião entre os assentados, poucas horas antes de o vice-presidente da Associação ser assassinado. Anizão tem um lote no assentamento Eldorado dos Carajás, em nome de José Beraldino, conhecido por ?Louro?. A missa - realizada pelo padre Alex Cauchi, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) - serviu ainda com um ato público contra a direção do Incra em Alagoas, cujo superintendente, José Quixabeira Neto, está sendo apontado pelos três movimentos sociais - MST, CPT e MT - como responsável pelos conflitos no campo, em função da letargia em que caiu a reforma agrária em Alagoas. ?Desde que ele assumiu o Incra, há mais de dois anos, nenhuma família de sem-terra foi assentada no Estado?, protestou Carlos Lima, um dos coordenadores da CPT. Segundo ele, o ministro do Desenvolvimento Agrário, José Abrão, recebeu na última sexta-feira um fax do presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Fernando Tourinho, pedindo a substituição de Quixabeira, mas até agora não se posicionou sobre o assunto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.