Delegado quer usar na PF carros de luxo apreendidos

Protógenes pediu a juiz que coloque 17 veículos à disposição para ?uso em serviço e segurança? de agentes

José Maria Tomazela, O Estadao de S.Paulo

06 de setembro de 2008 | 00h00

O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que foi responsável pela Operação Satiagraha, pediu à Justiça que os 17 veículos apreendidos na ação fossem colocados à sua disposição e de outros policiais da equipe de investigação "para uso em serviço e segurança pessoal".O pedido, feito no dia 15 de julho, incluiu automóveis esportivos - como dois Porsches 911 Carrera, um preto, outro cinza, avaliados respectivamente em R$ 300 mil e R$ 350 mil - e carros de luxo, como um Audi Q7 avaliado em R$ 260 mil, um Mercedes Benz E320 de R$ 160 mil e um Chrysler 300C de valor estimado em R$ 140 mil. O uso dos carros foi autorizado pelo juiz substituto da 6ª Vara Criminal Federal, Márcio Rached.Todos os veículos, inclusive uma motocicleta Piaggio MPB, avaliada em R$ 35 mil, são importados. Os carros, de valor total calculado em cerca de R$ 1,8 milhão, pertencem a empresas e pessoas ligadas ao banqueiro e fundador do Grupo Opportunity, Daniel Dantas, e ao investidor financeiro Naji Nahas, presos na Operação Satiagraha e depois libertados.A frota foi colocada à disposição da Delegacia de Inteligência da Polícia Federal, mas uma parte permanece no pátio da superintendência da corporação, no bairro da Barra Funda, em São Paulo. A PF não informou quais carros estão em uso nem para que finalidade, alegando que o inquérito do caso corre em segredo de Justiça.A Operação Satiagraha foi deflagrada em julho pela polícia para desmontar esquema que desviava verbas públicas e usava informação privilegiada para agir no mercado financeiro. Na ocasião, Dantas e Nahas, além do ex-prefeito Celso Pitta, foram presos. Hoje, estão soltos.A reportagem constatou que apenas os dois Porsches estão cobertos com uma manta. Os outros carros estão em locais descobertos, ao lado de centenas de outros veículos apreendidos. Também estão à disposição dos federais um Mini Cooper S, avaliado em R$ 130 mil, um Honda Accord V6 (R$ 80 mil) e um Gol 1.6 (R$ 26 mil).No ofício à Justiça, o delegado informa o cumprimento dos mandados de busca e apreensão dos veículos, "objetivando recompor prejuízos advindos da possível lavagem de dinheiro, crimes financeiros e outros, com indícios perpetrados pela referida organização criminosa".Após relacionar e identificar as unidades apreendidas, Protógenes pede que, na decisão, o juiz indique o uso "em serviço e segurança pessoal dos membros e familiares dos policiais que integraram a equipe de investigação da Operação Satiagraha". O requerimento não explica como seria feita a segurança dos familiares dos policiais com o uso de carros como o Porsche. O delegado pediu, ainda, para ter a guarda judicial dos veículos como "fiel depositário", revezando a utilização com os outros policiais que participaram da operação. No mês passado, a cúpula da PF em São Paulo abriu sindicância para apurar o uso por Protógenes de um Land Rover preto, blindado, apreendido da empresa MSI Licenciamentos, ex-parceira do Corinthians. O carro, modelo 2005, é avaliado em R$ 255 mil e estava sob custódia do delegado desde 7 de dezembro de 2007, depois que a Operação Perestroika, também chefiada por ele, devassou a parceria MSI/Corinthians por crimes de lavagem de dinheiro.A Land Rover foi levada ao pátio da PF depois que o delegado se transferiu para Brasília para fazer um curso, após deixar o comando da Operação Satiagraha.

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