Delegado promete abrir ''segredos''

Protógenes diz que dará todos os detalhes da controversa investigação no novo depoimento à CPI dos Grampos

Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2009 | 00h00

O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz afirmou ontem em São Paulo que com o fim do sigilo no processo da Operação Satiagraha vai revelar todos os detalhes e esmiuçar a participação de todos os envolvidos no esquema que levou para a cadeia, em julho do ano passado, o banqueiro Daniel Dantas, sócio-fundador do Grupo Opportunity, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta, entre outros.Os segredos da mais controversa operação da PF dos últimos tempos serão revelados publicamente no dia 1º de abril no Congresso, data em que está marcado seu segundo depoimento na CPI dos Grampos."Sou servidor público federal, sou portador de alguns segredos que, segundo eu fui informado, foram afastados. Eu vou exercer meu dever de servidor, de explicar para o povo brasileiro o que se passou em todo esse processo investigativo ao longo de quatro anos", afirmou Protógenes durante uma palestra que fez para filiados do PSOL, em São Paulo."Ao ser confrontado, vou poder explicar como se deu a participação de cada personagem e sua relação espúria corrupta criminosa com o banqueiro bandido Daniel Dantas. Vou explicar de forma individualizada e como se deu a formação de quadrilha."CONVOCAÇÃOO delegado, convidado para falar sobre segurança pública, usou seu espaço para defender "punição exemplar" a Dantas e ainda convocou a população para ir ao Congresso no dia 1º cobrar essa pena.Protógenes, que conduziu as investigações e terminou afastado do inquérito, passou de investigador a investigado. Pesam sobre ele acusações de excessos nas apurações, como grampos ilegais em autoridades do governo, uso de arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entre outras. Por decisão da Justiça, o sigilo telefônico do delegado foi quebrado.Ontem, ele disse que todas as escutas e métodos de investigação foram feitos dentro da legalidade. "Todos os dados foram coletados com autorização judicial e com a fiscalização da Procuradoria da República", disse.No caso da atuação da Abin nas investigações, Protógenes deixou claro que vai usar um voto do ministro Carlos Alberto Direito, do Supremo Tribunal Federal, para se defender. Nele, o ministro reconhece a legalidade da atividade da agência em atividades conjuntas com a PF, segundo ele.

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