Delegado pode ter cometido erros, admite Tarso

Ministro diz que inquérito e sindicância da PF apontam indícios de ilegalidades, mas promete punição no caso

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

11 de março de 2009 | 00h00

O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou ontem que o delegado Protógenes Queiroz "pode ter cometido graves irregularidades" à frente da Operação Satiagraha, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas e mais 14 pessoas em julho do ano passado.Em entrevista no Clube do Exército, onde foi homenageado, Tarso disse que um inquérito e uma sindicância na Polícia Federal já levantaram indícios de ilegalidades atribuídas ao delegado e que o caso não ficará impune. "Enquanto eu estiver no Ministério da Justiça e o Luiz Fernando (Corrêa) for diretor da PF, não tem contemporização com quem age fora da regra", avisou.O resultado das investigações será divulgado ainda neste mês, segundo informou a PF. O inquérito pode resultar em processo criminal contra Protógenes por prevaricação, vazamento de dados sigilosos e abuso de poder. Entre as irregularidades, segundo reportagem da revista Veja, estariam supostos grampos ilegais contra ministros, parlamentares e autoridades.Já a sindicância pode levar à abertura de processo disciplinar, cujas penas vão de advertência a demissão. "A PF tem de dar exemplo para a sociedade, no sentido de que ela também sabe cortar na própria carne", enfatizou o ministro. "Do nosso ponto de vista, qualquer policial, de qualquer hierarquia, suspeito de tomar atitudes que não estão dentro da norma será investigado e, se for o caso, punido exemplarmente."Ontem, em Recife, Protógenes voltou a negar envolvimento em irregularidades e qualificou de "mentirosa" a reportagem da Veja.Em debate com estudantes de Direito, ele negou que pretenda se candidatar a cargos públicos em 2010. "Sou forte candidato a carcereiro do banqueiro bandido Daniel Dantas", afirmou.CRÍTICASAo comentar a atuação do delegado Protógenes, o secretário estadual da Justiça, Luiz Antônio Marrey, fez duras críticas ao Ministério da Justiça e disse ser necessário refletir o papel que a pasta tem desempenhado. Ele cobrou do ministério que a Polícia Federal, subordinada ao ele, aja "dentro da legalidade"."É necessário que o Ministério da Justiça garanta a legalidade da ação da Polícia Federal. Ações ilegais são intoleráveis", declarou o secretário, incumbido de comentar o assunto pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB) - um dos espionados pelo delegado, segundo a reportagem da Veja. COLABORARAM ANGELA LACERDA e JÚLIA DUAILIBIFRASESTarso GenroMinistro da Justiça"A PF tem de dar exemplo para a sociedade, no sentido de que ela também sabe cortar na própria carne"Luiz Antônio MarreySecretário de Justiça de São Paulo"É necessário que o Ministério da Justiça garanta a legalidade da ação da PF. Ações ilegais são intoleráveis"

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