Delegado monitorou até Dilma, diz revista

Reportagem revela que Protógenes acompanhou também filho de Lula

, O Estadao de S.Paulo

08 de março de 2009 | 00h00

Reportagem publicada pela revista Veja desta semana reforça a suspeita de que o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz usou métodos ilegais para investigar autoridades influentes e até pessoas do círculo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Operação Satiagraha. A lista de investigados pelo delegado incluiria a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o filho do presidente, Fábio Luiz da Silva, o Lulinha.A reportagem se baseia em supostos documentos encontrados em pen drives e computadores do delegado, apreendidos no curso das investigações da PF. Em janeiro, o Estado já havia antecipado parte da investigação, incluindo a informação de que Protógenes havia monitorado o ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh e o advogado Nélio Machado, que defendia o banqueiro Daniel Dantas, alvo principal da Satiagraha.O material clandestino encontrado nos computadores e pen drives de Protógenes, segundo a revista, é composto por 63 fotografias, 932 arquivos de áudio, 26 arquivos de vídeo e 439 documentos em texto. Toda a conclusão do trabalho da PF sobre o que foi apreendido chegou à CPI dos Grampos na última quinta-feira. O presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), vai pedir a prorrogação dos trabalhos da comissão por 60 dias, para que os parlamentares tenham tempo de analisar os documentos. A revista traz mais detalhes sobre um depoimento do espião Lúcio Fábio Godoy de Sá, que afirmou que Protógenes havia lhe dito que o presidente estava interessado na investigação, já que seu filho, Fábio, havia sido cooptado pela organização criminosa comandada pelo banqueiro. Protógenes teria investigado a vida pessoal de Dilma Rousseff, a candidata de Lula ao Planalto em 2010, segundo o material apreendido.Há referências, segundo a reportagem da revista, à vida amorosa da ministra.O Palácio do Planalto, até o final da manhã de ontem, não havia se pronunciado sobre a reportagem. A assessoria da ministra Dilma também não se pronunciou. DIRCEUOs arquivos de Protógenes, de acordo com a revista, mostram um especial interesse pelas atividades do ex-ministro José Dirceu. O delegado e seus arapongas apelidaram o petista de "Zeca Diabo" - nome de um matador de aluguel da primeira novela em cores do Brasil, O Bem Amado. Um dos documentos, arquivado sob o nome "Informações Zeca", relata que o ex-ministro-chefe da Casa Civil "embarcou ontem, 17/04, para o Panamá. De lá, segue um roteiro internacional de negócios até 10 de maio". Em outros trechos, os espiões escrevem sobre possíveis negócios do ex-ministro e supostos encontros de Dirceu com deputados envolvidos no escândalo do mensalão.

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