Delegado indicia ex-assessor de prefeito de Ribeirão Preto

O delegado seccional de Ribeirão Preto, Benedito Antônio Valencise, indiciou na tarde desta sexta-feira o ex-chefe da Casa Civil da prefeitura local, Nelson Collela, por quatro crimes. Collela foi apontado pelo advogado Rogério Tadeu Buratti como o emissário da propina de R$ 50 mil da empresa Leão Leão ao então prefeito Gilberto Maggioni (PT), entre os anos de 2002 e 2004.O advogado de Collela, Alamiro Velludo Salvador Netto, disse que não concorda com acusação e o indiciamento de seu cliente. "Nunca houve pagamento algum da Leão Leão para a prefeitura ou qualquer pessoa da prefeitura ao longo do governo de Gilberto Maggioni", afirmou o advogado.O próximo indiciado será Maggioni, outro cliente de Salvador Netto, na tarde de segunda-feira. Até agora, no inquérito que apura superfaturamento no contrato do lixo e de limpeza pública, três pessoas foram indiciadas, inclusive o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci Filho, prefeito da cidade entre 2001 e 2002.Após o depoimento de Collela, Valencise afirmou que as provas existentes, inclusive gravações telefônicas, comprovam a participação do indiciado nos crimes investigados - formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato e falsidade ideológica. "Embora ele negue, há depoimentos e dados concretos que permitem essa conclusão", disse o delegado, referindo-se ao fato de que Collela seria o emissário da propina a Maggioni.Collela não ouviu gravações, como no depoimento de uma ação civil que corre no Ministério Público Estadual (MPE), mas teve acesso a alguns trechos de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. Segundo o delegado, o depoente estava "preocupado" e "tenso" e não esclareceu alguns detalhes.Collela foi o terceiro indiciado, após Palocci e Luciana Alecrim (ex-funcionária do Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto/Daerp). Valencise disse que ainda restam sete indiciamentos a serem feitos.Os demais indiciados devem ser Isabel Bordini (ex-superintendente do Daerp), Donizeti Rosa (ex-secretário de Governo de Palocci e Maggioni), Juscelino Dourado (ex-chefe da Casa Civil de Palocci) e três ex-diretores da Leão Leão (Luiz Cláudio Ferreira Leão, Carlos Alberto Leão e Wilney Barquete). Ralf Barquete Santos, ex-secretário da Fazenda, que seria o emissário da propina de R$ 50 mil da empresa a Palocci, que teria feito os repasses ao Diretório Nacional do PT, morreu em meados de 2004.DefesaSalvador Netto disse, em defesa de seu cliente, que "em nenhum momento as gravações apontam para qualquer tipo de irregularidade, de contribuição de R$ 50 mil, ou de algo que saia dos limites da lei", não concordando com as acusações. Disse que a conversa gravada entre Collela e Wilney Barquete seria profissional, sobre o repasse do pagamento que a Leão Leão tinha direito a receber da prefeitura pelos serviços prestados."A Leão Leão tinha crédito com o Daerp, que não fazia o repasse por falta de verba, e ela batia na porta da prefeitura pedindo esse repasse, que muitas vezes era feito ou não, dentro do limite orçamentário", comentou o advogado."Faz-se uma grande tempestade em cima de um único depoimento, de sete ou oito páginas, de uma única pessoa, chamada Rogério Buratti, num inquérito com 76 volumes", disse ele. Salvador Netto vai esperar o final do inquérito e a manifestação do MPE. Se houver denúncia, ele tentará trancar a ação, pois considera o caso insustentável.Assim como Valencise, o promotor Aroldo Costa Filho concorda com a existência dos crimes investigados. "Não há dúvida (da participação de várias pessoas ligadas à Leão Leão e à prefeitura na época), pelas provas e escutas telefônicas desse vínculo", garantiu Costa Filho. "Todas as pessoas investigadas serão denunciadas à Justiça, a quem cabe aceitar ou não essas provas, condenar ou não", emendou ele.MemóriaSobre o depoimento de Collela, o promotor disse que não foi muito diferente do que foi prestado no MPE no começo do ano, informando que não se lembra das conversas. "Parece que a memória dele deve estar com algum tipo de problema", disse o promotor."Na maioria das vezes ele (Collela) disse não se lembrar do teor das conversas exibidas, mas em relação a uma delas nos surpreendeu porque sabia até a página onde estava transcrita", comentou. "Era a (página) que fazia referência que (ele) teria recebido um litro de uísque da Leão Leão, mas disse que pode ter ou não recebido, mas não soube justificar a razão pela qual teria recebido esse presente."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.