Delegado indicia dois do MST por execuções

Eles são acusados pela morte de vigias de fazenda em Pernambuco

Angela Lacerda, RECIFE, O Estadao de S.Paulo

29 de abril de 2009 | 00h00

Dois integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) foram indiciados por homicídio qualificado, concurso material, formação de quadrilha e porte ilegal de arma, no inquérito concluído ontem pela Polícia Civil. Eles são acusados da execução de quatro seguranças da Fazenda Consulta, em São Joaquim do Monte, no dia 21 de fevereiro. Outros quatro integrantes do MST foram citados por coautoria e formação de quadrilha.Dos seis, três estão presos. Os três foragidos estão com pedido de prisão preventiva decretada. O inquérito também indiciou o segurança Donizete Oliveira Souza, único sobrevivente, por porte ilegal de arma. Ele não teve, porém, pedida sua prisão.Os seguranças João Arnaldo da Silva, José Wedson da Silva, Rafael Erasmo da Silva e Vágner Luiz da Silva foram baleados na cabeça e no tronco. "As perfurações foram todas em regiões letais, o que indica crime de execução", avalia o delegado Luciano Francisco Soares, que preside o inquérito. Os presos, apontados como coautores por terem ajudado os assassinos e dado cobertura na fuga, estão no presídio Juiz Plácido de Souza, em Caruaru. São eles: Aluciano Ferreira dos Santos, Paulo Alves Cursino e Severino Alves da Silva.Os foragidos são Antonio Honorato da Silva e Homero Severino da Silva, apontados como os executores, e Luiz Vágner Siqueira, também coautor. A conclusão do inquérito foi entregue ao Ministério Público de São Joaquim do Monte, que deve oferecer denúncia à Justiça. Por sua assessoria de imprensa, o MST - que assumiu as mortes - disse que só se pronuncia sobre o assunto depois de ter acesso ao inquérito.CHACINAA chacina ocorreu duas semanas depois da 11ª reintegração de posse da Fazenda Consulta, área reivindicada pelo MST há cerca de 10 anos. Despejados, os sem-terra se abrigaram nas proximidades da propriedade, com o objetivo de reocupá-la. Eles haviam tirado fotografias dos cinco seguranças da fazenda na operação de despejo. Ao tomar conhecimento das imagens, os seguranças foram atrás dos sem-terra. Houve bate-boca. Na sequência, Honorato e Homero dispararam contra os seguranças. Dois deles morreram na hora e três fugiram, mas foram perseguidos e alcançados. Somente Donizete conseguiu escapar com vida.O delegado justificou a demora de dois meses e uma semana para concluir o inquérito porque aguardava um laudo do Instituto de Criminalística para comprovar que os 12 projéteis retirados dos 4 cadáveres não coincidiam com os calibres das armas usadas pelos seguranças. Ontem ele decidiu entregar o inquérito sem o laudo do IC que deverá ser anexado ao inquérito quando ficar pronto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.