Delegado espera laudos para falar sobre morte de Celso Daniel

O diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Domingos Paulo Neto, só vai pronunciar-se sobre as investigações do assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT), a partir da próxima semana, quando devem estar concluídos os 15 laudos em elaboração por equipes do Instituto de Criminalistica (IC), da Polícia Técnica de São Paulo."Assim que os laudos ficarem prontos, ele deverá convocar uma entrevista coletiva", afirmou nesta quinta-feira a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública.O engenheiro elétrico Ricardo Salada, perito da Polícia Técnica que atua junto ao DHPP, afirmou que há uma "bateria complexa" de laudos em elaboração. "Estão sendo realizados exames das vestes, da tinta da Blazer que supostamente teria sido utilizada no seqüestro, da terra encontrada nos sapatos do prefeito, da balística dos projéteis encontrados em seu corpo, e assim por diante", disse ele. Salada garante que, até o momento, não se pode tirar nenhuma conclusão sobre os resultados dos exames. "Tudo o que temos são detalhes parciais, indicações e suposições, que só os laudos finais poderão definir", alertou ele.De acordo com o perito, muitos destes exames só podem ser realizados em equipamentos existentes em laboratórios sofisticados de algumas universidades. "Todos querem agilidade, mas há coisas que não podem ser agilizadas, sob risco de comprometimento do resultado final. O laudo técnico é incontestável e tem que se basear em conclusões incontestáveis", argumenta ele. Os laudos mais esperados, de acordo com o próprio Salada e com o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, que acompanhou os depoimentos desta quinta-feira no DHPP, são o do exame da terra dos sapatos e o da tinta da Blazer, encontrada perto do suposto cativeiro de Daniel, na Favela Pantanal, em São Paulo."Se for provado que a terra dos sapatos é a mesma encontrada no cativeiro e que a tinta da Blazer é a mesma deixada na Pajero onde Daniel se encontrava quando foi seqüestrado, é claro que teremos meio caminho andado para a elucidação do crime", pondera Salada. Greenhalgh reafirmou, nesta quinta-feira à tarde, a informação não-oficial de que já teriam sido detectadas compatibilidades entre a terra do cativeiro e a encontrada nos sapatos de Daniel, e também entre a tinta da Blazer e a encontrada na Pajero, abalroada várias vezes durante o seqüestro. Mas, para Salada, o fato de existir compatibilidade não quer dizer que a terra do sapato tenha vindo do cativeiro e nem que a tinta seja da mesma Blazer. "Compatibilidade é indício, não prova. Supondo que realmente seja correta a informação de compatibilidade entre as terras, o que temos é apenas uma área fechada, não a prova de que tenha vindo daquele suposto cativeiro. Pode ter vindo de qualquer lugar de uma região não necessariamente pequena", avalia o perito.

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