Delegado entra com ação para não depor

Protógenes, que deveria falar hoje à CPI, alega que não pode perder aulas

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

06 de agosto de 2008 | 00h00

A defesa do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz ingressou ontem com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o direito de seu cliente de faltar ao depoimento marcado para as 14h30, na CPI dos Grampos, na Câmara.A decisão de recorrer ao STF foi tomada no início da noite de ontem, após a recusa do presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), em adiar o depoimento do delegado que comandou o inquérito da Operação Satiagraha.Protógenes foi afastado do caso pela cúpula da PF, no mês passado. Oficialmente, sua saída se deu em razão de um curso de aperfeiçoamento na Academia Nacional de Polícia, em Brasília. Mas nos bastidores setores da própria PF e do governo avaliaram que ocorreram excessos na operação, que acabou provocando a prisão de 18 pessoas, entre elas o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas."O doutor Protógenes não está se furtando a comparecer, muito pelo contrário. Mas ele não pode ter uma única falta no curso, sob o risco de ser reprovado. Um novo curso só poderia ser feito daqui a três ou quatro anos", afirmou Renato Andrade, advogado de Protógenes.Outro personagem da Operação Satiagraha, o juiz Fausto De Sanctis, que determinou as prisões, enviou um ofício à CPI em que recusa o convite para depor - ele não foi convocado, como o delegado.Antes de decidir recorrer ao STF, Protógenes tentou, durante a tarde, transferir seu depoimento na CPI. Em ofício de três páginas, entregue ao deputado Alexandre Silveira (PPS-MG), integrante da comissão, o delegado alegou não poder faltar ao curso de aperfeiçoamento e se ofereceu para comparecer após a sua conclusão. O curso termina no dia 22, segundo a Polícia Federal.O presidente da CPI nem chegou a colocar o pedido de Protógenes em votação no plenário da comissão. Na condição de responsável pela condução dos trabalhos, simplesmente inderefiu o pedido, alegando que a desculpa não é aceitável. "Ele foi convocado, portanto é obrigado a comparecer. Não estamos impedindo o delegado de fazer seu curso, mas a CPI é prioridade", disse Itagiba.Emissários de Protógenes avisaram que, caso seja obrigado a comparecer hoje, dificilmente ele poderá a responder aos questionamentos dos deputados. O delegado deverá alegar sigilo nas investigações para não responder às perguntas.Tanto Protógenes quanto qualquer integrante da CPI podem ainda requerer que o depoimento seja fechado, ou seja, sem acesso da imprensa. O advogado do delegado disse ao Estado não saber se o cliente utilizará esse recurso.

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