Delegado encerra terça o inquérito do lixo de Ribeirão Preto e pede prisões

O delegado seccional de Ribeirão Preto, Benedito Antônio Valencise, vai encerrar na terça-feira, 19, o inquérito do lixo que investigou fraude e superfaturamento no contrato de limpeza pública no município entre 2001 e 2004 e remetê-lo à apreciação da Justiça. Valencise vai pedir prisões de indiciados e acusados de vários crimes, mas não informou à reportagem do Estado quantos e quais são esses nomes. Um dos indiciados no inquérito é o ex-ministro da Fazenda e ex-prefeito Antônio Palocci Filho (por peculato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro), prefeito entre 2001 e meados de 2002 - seu sucessor, Gilberto Maggioni (PT), foi indiciado pelos mesmos crimes.Para Valencise existe um conjunto probatório - "as provas são incontestáveis", afirma sempre - contra os acusados. O delegado cita, desde o início do ano, Palocci como o "chefe da quadrilha", comandando o esquema de fraude no contrato do lixo e limpeza pública, principalmente de varrição de rua (em bairros periféricos e até no bosque municipal), que teria causado prejuízo de R$ 30,7 milhões aos cofres públicos. O fechamento do inquérito - que tem cerca de 15 mil páginas - arrastou-se até agora porque o delegado esperava o resultado de uma perícia em documentos apreendidos na Leão Leão em fevereiro deste ano, pela Receita Estadual, que ainda não ficaram prontos. Mas, independente disso, ele considera suficiente todo o material que tem em mãos.O delegado também aguardava a Justiça julgar as liminares pedidas por três acusados - Luiz Cláudio Ferreira Leão, Fernando Fischer e Marcelo Franzine - que não foram indiciados devido aos habeas-corpus conseguidos. Foram os únicos que não foram indiciados durante o inquérito. IndiciadosOutro ex-funcionário da Leão Leão, Wilney Barquete, no entanto, foi indiciado, assim como Donizeti Rosa (ex-secretário de Governo e de Maggioni), Isabel Bordini (ex-superintendente do Daerp, autarquia responsável pelo contrato com a Leão), Nelson Collela Filho (ex-chefe da Casa Civil de Maggioni) e Luciana Alecrim (ex-assistente direta de Isabel Bordini). Todos os investigados, inclusive Palocci, negaram as acusações.Esse é o segundo inquérito do lixo na cidade. O primeiro, encerrado há quase um ano, apurou formação de quadrilha e Valencise indiciou cinco pessoas (os quatro da Leão Leão e o advogado Rogério Tadeu Buratti, ex-secretário de Governo de Palocci, na prefeitura de Ribeirão Preto, entre 1993 e 1994), mas o Ministério Público Estadual (MPE) ainda não ofereceu denúncia ou pediu arquivo do caso, pois aguarda transcrições de escutas telefônicas importantes.O segundo inquérito foi aberto após a prisão de Buratti, que, em depoimento, informou que Palocci e Maggioni recebiam propinas mensais de R$ 50 mil da Leão Leão entre 2001 e 2004. Neste inquérito, Buratti foi ouvido como testemunha e não foi indiciado.Toda a investigação do lixo começou em 2005, após escutas telefônicas autorizadas pela Justiça flagrarem conversas de conluio entre empresas em contratos de lixos em várias cidades. Na vizinha Sertãozinho, o inquérito virou processo, mas em agosto a 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ), de São Paulo, suspendeu, em liminar, o processo contra 14 investigados, pois o prefeito José Alberto Gimenes (PSDB) tem direito a foro privilegiado e não está sendo processado. O MPE aguarda o julgamento do mérito do habeas-corpus.

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