Delegado diz que sofreu pressão de Janene para nomear aliado

O diretor-geral da Polícia Federal, delegado Paulo Lacerda, informou hoje que sofreu pressões de um dos parlamentares listados para cassação no Congresso por envolvimento com o mensalão, para que nomeasse um aliado político dele como superintendente do órgão no Paraná. A declaração causou alvoroço na CPI dos Correios, onde Lacerda prestava depoimento sobre mecanismos de combate à corrupção, mas o delegado não quis revelar os nomes, obtidos mais tarde em audiência reservada proposta pelo deputado Sílvio Torres (PSDB-SP).Conforme informações de membros da CPI, o parlamentar citado por Lacerda seria o líder do PP na Câmara, deputado José Janene (PR), e o aliado dele indicado para o cargo, o delegado Sandro Roberto Vianna, que está em rota de colisão com a direção da PF desde o ano passado. Vianna foi titular da delegacia da PF em Londrina até o final de 2005, quando foi transferido pela direção da PF para Marília, no interior de São Paulo, depois de se envolver na última disputa para a prefeitura do município paranaense, em 2004.O delegado negou que seja aliado de Janene, ou que tenha favorecido o candidato do deputado para a prefeitura de Londrina, Antônio Belinati. "É uma história fantasiosa", disse Vianna. Cassado em 2000 por desvio de recursos, Belinati retornou à cena política em 2004 pelo PP, mas foi derrotado por Nelson Micheleti, do PT, apoiado pelo atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em disputa acirrada.No ano passado, uma dissidente petista, Soraya Garcia, denunciou uso de recursos do caixa 2, das empresas de Marcos Valério de Souza, na campanha de Micheleti. Vianna imediatamente abriu relacionou vários acusados petistas no caso, inclusive Paulo Bernardo. Meses depois, ele foi afastado sem explicações do cargo. Ele estranhou a medida, mas prefere não criticar os superiores. "Desconheço as razões. Só posso dizer que não foram técnicas", afirmou.A CPI apurou que Janene recebeu R$ 4,1 milhões do esquema de caixa 2 do PT, operado por Valério. O dinheiro, levantado na quebra de sigilo das contas do empresário no Banco Rural, foi entregue ao assessor do parlamentar, João Cláudio Genu. Esse valor deverá subir quando as técnicos computarem novos valores descobertos, que foram depositados na conta da mulher do deputado, Stael. As investigações descobriram ainda um montante de R$ 154 mil depositado pela corretora Bônus Banval na conta de uma secretária de Janene, Rosa Alice Valente. A corretora teria sido foi usada por Valério para fazer repasses ao PP.

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