Delegado diz que existe 'mercado negro' de grampos no País

Élzio Vicente diz que mercado seria comandado por empresas que realizam serviços de espionagem particular

Ana Paula Scinocca, de O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 15h59

No depoimento à CPI dos Grampos na Câmara dos Deputados, o delegado da Polícia Federal Élzio Vicente da Silva admitiu existir um "mercado negro" de grampos telefônicos no País. O mercado, segundo ele, seria comandado por empresas que realizam serviços de espionagem particular. Ele afirmou ainda ter conhecimento de que as empresas têm "tabelas de preços" para as interceptações de telefones fixos e celulares.   "Não me lembro dos valores da tabela, mas telefone fixo era mais barato do que celular para grampear", afirmou. O depoimento de Silva aconteceu nesta manhã e durou cerca de duas horas. O delegado comandou a Operação Chacal em que a Polícia Federal investiga suposta espionagem da Telecom Itália pela Kroll.   O delegado defendeu mais autonomia da PF para recebimento, por parte de operadoras de telefonia, de dados cadastrais de clientes investigados pela corporação. Silva repetiu o discurso feito na véspera pelo também delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz.   "Em um dos sorteios do programa do Faustão (da TV Globo), a identificação de chamada era feita on line. Eu lembro que um dos autores de ligações para a Rede Globo foi um telefone do Corpo de Bombeiros. A identificação de chamada e do proprietário da linha era feita pela Globo. Por que a autoridade policial, em investigação, tem que primeiro acordar o juiz de madrugada, acionar o Oficial de Justiça de plantão e levar ao procurador para se manifestar?", questionou.  

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