Delegado diz que agiu em defesa de sua propriedade

O delegado Tadeu Caldas Braga proprietário da Fazenda Monte Cristo, localizada em Abrantes, na região metropolitana de Salvador, admitiu que contratou 72 jagunços para expulsar 350 trabalhadores rurais ligados ao Movimento da Luta pela Terra (MLT) que invadiram a área pela terceira vez. Durante um conflito na noite de ontem, 60 pessoas ficaram feridas. O policial garante que agiu em legítima defesa, informando ter contratado os jagunços para exercer a lei civil do "desforço incontinenti" pelo qual um proprietário de terras poderia defender sua área com o uso da força.Argumentou também ser "absurdo" estar com uma ordem de reintegração de posse e uma liminar da Justiça garantindo a posse da fazenda, e tê-la ocupada pelos sem-terra. Braga contou que estava vigiando o local com alguns seguranças quando os invasores chegaram e o expulsaram. Nesse momento um dos seus seguranças, Domingos dos Santos, foi baleado no peito (mas, já foi medicado e liberado). Por essa razão, ponderou que não havia outra alternativa senão a de reunir uma "tropa" para recuperar a fazenda.Mata atlânticaPelo menos 170 sem-terra permanecem na Monte Cristo vigiados por dezenas de policiais militares. Diretores do MLT contam que freqüentemente ouvem disparos de tiros na área e acham que alguns pistoleiros continuam rondando a fazenda para intimidá-los. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) está procurando uma área na região para transferir as famílias. Como possui uma trecho de mata atlântica a Fazenda Monte Cristo teoricamente não pode ser usada para reforma agrária.

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