Delegado desqualifica estratégia de Palocci

O delegado seccional de Ribeirão Preto, Benedito Antonio Valencise, desqualificou a estratégia do ex-ministro Antonio Palocci, adotada ontem, de atribuir possíveis irregularidades no contrato de limpeza urbana à ex-superintendente do Departamento de Água e Esgotos (Daerp), Isabel Bordini. Valencise, que chefia o inquérito pelo qual Palocci, ex-prefeito da cidade paulista, foi indiciado ontem em Brasília (DF), disse haver "provas claríssimas de que a superintendente (Isabel) obedecia ordens". O delegado ratificou que Isabel era "subordinada a ele (Palocci), foi colocada nesse serviço por escolha do prefeito e prestava satisfação, todo tipo de contas e orientações ao prefeito, que era o chefe de todo o trabalho dessa organização", explicou. Valencise lembrou que no depoimento de Rogério Buratti, no mesmo inquérito, o ex-assessor de Palocci citou que presenciou encontros nos quais "Palocci dava ordens e Isabel ouvia e cumpria", disse. Buratti, à época, era diretor do Grupo Leão Leão, companhia que é acusada de integrar o esquema que pode ter desviado R$ 30,7 milhões da Prefeitura de Ribeirão Preto, por meio de superfaturamento no contato de limpeza urbana. De acordo com Buratti, o dinheiro era utilizado para o pagamento de propina ao PT e a políticos do partido. Valencise repetiu ao menos dez vezes durante uma entrevista coletiva que há provas para indicar Palocci pelos crimes de peculato, falsidade ideológica, formação de bando ou quadrilha e lavagem de dinheiro, bem como ao menos outras oito pessoas no inquérito chefiado por ele. Entre elas devem estar a própria Isabel Bordini, seu marido Donizeti Rosa, ex-chefe de Gabinete de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto e atual superintendente do Sistema de Processamento de Dados (Serpro) da Caixa Econômica Federal, bem como o sucessor de Palocci nos últimos dois anos da gestão petista na prefeitura local (2003-2004), Gilberto Maggioni. "Há um conjunto de pessoas coordenadas por alguém com poder maior para executar esse esquema. Não é um crime que aconteceu durante um dia, ou durante um mês. É um crime que foi praticado de forma constante durante quatro anos; todos os investigados serão indiciados", concluiu o delegado. Ele pretende, a partir da próxima semana, retomar os depoimentos e encerrar o inquérito até meados de maio.

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