Tomaz Silva/Agência Brasil
Tomaz Silva/Agência Brasil

Delegado da Polícia Federal assume comando da Abin

Presidente Jair Bolsonaro determinou a troca no comando da agência de inteligência por Alexandre Ramagem Rodrigues, um dos responsáveis pela escolta do então candidato na campanha eleitoral de 2018

Felipe Frazão e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2019 | 05h00

BRASÍLIA - No quinto mês de governo, o presidente Jair Bolsonaro determinou uma troca no comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a entrega da direção do órgão a um delegado da Polícia Federal (PF). Alexandre Ramagem Rodrigues, um dos responsáveis pela escolta de Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018, assumirá a direção-geral da Abin no lugar do servidor de carreira Janér Tesch Hosken Alvarenga.

Atualmente, Rodrigues é assessor especial do ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz, na Secretaria de Governo. Antes, além de coordenar a segurança de Bolsonaro nas eleições e até a posse, atuou em postos de comando da PF em Roraima, e no início da Operação Cadeia Velha, que levou à prisão a cúpula do MDB no Rio de Janeiro.

Segundo o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno – a quem a Abin está subordinada –, a troca foi uma orientação de Bolsonaro. “Nós vemos uma troca sem traumas, não há nada contra o atual diretor da Abin. Troca feita por orientação do presidente, buscando uma nova situação para inteligência”, disse Heleno.

O ministro afirmou que busca outro perfil para comandar a Abin, com mais integração e velocidade na troca de informações. O Estado apurou que havia uma avaliação de que muitas vezes o governo era informado antes por grupos de WhatsApp e só depois pela Abin.

Delegado. A decisão de colocar um delegado da PF no comando da Abin foi mal recebida internamente. Isso porque Rodrigues não será o primeiro delegado da PF a comandar o órgão que controla o sistema de inteligência do País. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou na chefia da agência o delegado da PF Paulo Lacerda, que caiu em 2007, após suspeitas de envolver irregularmente agentes de inteligência em escutas telefônicas na Operação Satiagraha, da PF, órgão que ele mesmo havia comandado.

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