Delegado amigo de Lula deixa comando da PF em São Paulo

O superitendência regional da Polícia Federal de São Paulo, Francisco Baltazar da Silva, de 53 anos, alegou ?motivos pessoais? para deixar o cargo que ocupava desde fevereiro de 2003. Em ofício encaminhado por fax a Paulo Lacerda, diretor-geral da PF, o amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que sua decisão tem ?caráter irrevogável?. Ele sugeriu ?brevidade? na escolha de seu sucessor para evitar paralisação dos serviços.Por trás do pedido de exoneração do delegado, está o grande desgaste por ele sofrido nesses 18 meses em que dirigiu a PF, período em que a cúpula da instituição planejou e executou operações de grande impacto, que levaram à prisão empresários, advogados e policiais, inclusive subalternos do próprio Baltazar. Em todas essas ocasiões, Brasília não avisou Baltazar, por recomendação da Procuradoria da República que temia vazamento de dados. A estratégia da direção da PF irritou Baltazar, que sentiu-se traído. Na semana passada, ele comandou operação especial, denominada Farol da Colina, e capturou 23 doleiros estabelecidos em São Paulo. Entre os prisioneiros encontra-se Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, apontado como o ?doleiro dos federais? ? sua contabilidade, devassada pela Inteligência da PF, mostra que ele movimentou pelo menos US$ 2,5 milhões de policiais.Ele foi indicado para o cargo pelo presidente Lula. A amizade entre eles nasceu em 1989, quando o delegado foi destacado para fazer a escolta do petista, então candidato pela primeira vez à Presidência. Na época, Lula e a cúpula do PT viam com desconfiança a companhia de agentes federais ? no início da década de 80, Lula foi mantido 32 dias prisioneiro no Departamento de Ordem Política e Social, acusado de violar a Lei de Segurança Nacional na greve dos metalúrgicos. Na outra campanha, a de 1994, os petistas já se haviam ?adaptado? a Baltazar.

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