Delegado acusado por morte de missionário é abolvido

Por seis votos a um, o Tribunal do Júri Federal em Mato Grosso absolveu, por volta da 1h30 da madrugada deste domingo (horário de Brasília), o delegado aposentado da Polícia Civil Ronaldo Antônio Osmar, que era acusado de ter sido o mandante do assassinato do missionário jesuíta Vicente Canãs. O crime ocorreu em abril de 1987 e teve grande repercussão no País.O julgamento se arrasou por cinco dias e foi acompanhado por representantes de entidades religiosas, indigenistas e de direitos humanos. Sob a presidência do juiz Jefferson Schneider, o júri foi instalado na manhã de terça-feira no Fórum Federal de Cuiabá. Seis homens e uma mulher foram sorteados para compor o Conselho de Sentença. O procurador da República Mário Lúcio Avelar fez a acusação e pediu a condenação do réu. O advogado Paulo Machado Guimarães fez o trabalho de assistente da acusação.Na defesa, atuaram os criminalistas Zoroastro Teixeira e Waldir Caldas, que pediram a absolvição do delegado sob alegação de que não havia provas contra ele.Vicente Canãs tinha 66 anos quando foi encontrado morto no barraco de madeira que habitava, na floresta próxima ao município de Juína, 700 quuilômetros ao norte do Estado.Ele chegou na área na década de 70 para prestar assistência aos índios da tribo Enawenê-Nawê. A região sempre foi palco de graves conflitos entre índios e fazendeiros, estes inconformados com a demarcação da terra destinada à tribo. Padre Canãs teria sido morto a mando dos fazendeiros que não aceitavam sua atividade na área. Mais de 19 anos depois da morte de Canãs, a Justiça Federal deu inicio ao julgamento dos acusados. Eram seis réus ao todo. Dois já morreram e dois se livraram da ação penal porque foram beneficiados pela prescrição (prazo que a Justiça tem para punir o acusado).Restaram dois réus, o delegado Ronaldo Osmar e José Vicente da Silva, apontado pela Procuradoria como um dos executores do missionário religioso. Silva será julgado a partir do próximo dia 6. No julgamento encerrado na madrugada deste domingo, os jurados inocentaram o delegado por seis votos a um. Eles entenderam, por quatro votos a três, que padre Canãs foi morto a pancadas e facadas. A própria acusação reconheceu, porém, que a prova contra Ronaldo Osmar era muito frágil. Nenhuma testemunha afirmou categoricamente que o delegado mandou matar o missionário atendendo a uma trama dos fazendeiros.A Procuradoria vai apelar ao Tribunal Regional Federal, em Brasília, pedindo novo julgamento do delegado.

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