Delegada indicia seis integrantes do MST

A delegada gaúcha Carla Mussi indiciou hoje seis integrantes do MST pela morte do agricultor Pedro Milton Luz Pedroso, assassinado no último dia 7 por um "grupo de disciplina" do movimento que estaria expulsando do assentamento Rondinha, em Jóia (RS), pessoas que compraram seus lotes irregularmente. Entre os acusados pela morte, está um assessor da Secretaria Estadual de Reforma Agrária, José Censi, responsável pela infra-estrutura dos assentamentos. Todos estão foragidos há duas semanas.Outros 23 militantes do MST também foram indiciados por formação de quadrilha e participação na expulsão de outras famílias. Destes, 18 estão presos e os demais tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça e ainda estão sendo procurados pela polícia. O Incra já abriu 601 processos no Rio Grande do Sul por irregularidades como a compra, abandono ou troca de lote nos assentamentos, mas condena o ato do MST de agir por conta própria.De acordo com o superintendente regional do Incra, Jânio Guedes, muitos dos casos de irregularidades são contestados pelo próprio movimento. "Nós aceitamos a permuta entre dois assentados, o que é diferente de alguém de fora comprar um lote", justifica o líder do MST Augusto Olsson.O MST ingressou na Justiça com pedido de habeas-corpus a favor dos presos e procurados, mas o desembargador Saulo Brum Leal negou as liminares e, no caso de Censi, pediu mais informações ao juiz de Augusto Pestana que decretou as prisões preventivas. Os advogados do movimento deverão recorrer ao pleno do Tribunal de Justiça. "Isso é uma perseguição ao MST. Não existe nenhum prova que justifique a necessidade de prisão", protesta Olsson.

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