Alex Silva/Estadão
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Delcídio prometeu R$ 4 mi para evitar delação de Cerveró e 'mesada' de R$ 50 mil para família

Ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo, informou aos seus colegas sobre as iniciativas do líder do governo no Senado para prejudicar as investigações

Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2015 | 11h28

Brasília - Em sessão extraordinária da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta manhã, que discute a prisão do senador Delcídio Amaral e do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, o ministro Teori Zavascki relatou que houve uma promessa de pagamento de R$ 4 milhões para evitar que o ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, firmasse acordo de delação premiada. 

O senador chegou a oferecer, segundo o relator, auxílio financeiro em R$ 50 mil mensais à família de Cerveró, além de intercessão política em favor de liberdade junto aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ajuda em fuga para a Espanha.

De acordo com as investigações da Procuradoria-Geral da República, seriam pagas vantagens indevidas à família do ex-diretor da Petrobras através de pagamentos simulados de honorários pelo BTG Pactual ao advogado Edson Ribeiro. Os valores, que segundo promessa do senador chegariam ao montante de R$ 4 milhões, seriam repassados pelo advogado à família de Cerveró aos poucos. 

As tentativas de Delcídio em dissuadir o ex-diretor para não delatá-lo foram gravadas por Bernardo Cerveró, filho do delator, em duas reuniões ocorridas em setembro, no Rio de Janeiro, e a última na semana passada, em um hotel de luxo em Brasília. O banqueiro André Esteves, o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, e o chefe de gabinete de Delcídio no Senado, Diogo Ferreira, também participavam das tratativas. 

Segundo relato de Zavascki, em delação premiada, Cerveró descreveu a prática de corrupção ativa por André Estever em pagamentos ao senador Fernando Collor (PTB-AL) em contrato de embandeiramento de 120 postos de combustíveis em São Paulo. Além de atos de corrupção por Delcídio envolvendo a compra da refinaria de Pasadena. 

Por meio de nota, a assessoria de imprensa do banco BTG Pactual informou que "está  à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e vai colaborar com as investigações."

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