Delcídio é citado no livro-caixa do mensalão em MS

Senador nega que tenha sido favorecido por Zeca do PT, ex-governador do Estado

AE, Agencia Estado

30 Outubro 2007 | 09h06

O nome do senador Delcídio Amaral (PT-MS) também consta do livro-caixa que o Ministério Público do Mato Grosso do Sul rotulou de mensalão do Zeca do PT, como é conhecido o ex-governador do Estado José Orcírio Miranda dos Santos (1999-2006). Ao lado de seu nome, uma anotação: R$ 25 mil. A informação foi divulgada na última segunda-feira, em Campo Grande, pela força-tarefa que investiga suposto esquema de corrupção, peculato e improbidade nos dois governos de Zeca do PT.     Veja também:     Denúncia de mensalão em MS envolve mais 4 deputados Ministério Público acusa Zeca do PT de pagar mensalão "É mais fácil o sargento Garcia prender o Zorro do que o Zeca do PT ter autorizado algum tipo de favorecimento para mim", ironizou o senador. Delcídio disse que "nunca" viu esse livro. "Só tinha ouvido falar em conversa meio enviesada." Mas considerou "muito estranho" o fato de seu nome figurar na relação.   "É sabidamente conhecida minha divergência com Zeca. Vou tomar as providências jurídicas cabíveis, eu quero olhar o original (do livro). Não tenha dúvida que vou para cima, não brinco em serviço. Que papo é esse?" Ele disse que "não teve ninguém, nenhuma indicação" sua no governo Zeca do PT. "Eu colaborava aqui (em Brasília), como parlamentar, trabalhava para viabilizar o que era importante para meu Estado. Isso aí eu sempre fiz."   Segundo a denúncia, o dinheiro do mensalão de Zeca teria origem em desvios na área de publicidade, presumem os promotores. Ainda de acordo com as investigações, o rombo pode ter atingido R$ 30 milhões. A devassa mostra também que transações com agências de publicidade abriram caminho para "grandioso esquema de corrupção". Os promotores alegam que o governo contratava as agências, que nem sequer realizavam os serviços. A contabilidade era feita com notas fiscais frias. Uma gráfica, a Sergrapf, cobrava entre 12% e 17% do valor de nota. Desse montante, 15% ficava com a agência e o restante voltava ao governo para a distribuição "a servidores públicos envolvidos no ilícito".   Mais quatro deputados, dois estaduais e dois federais do PT de Mato Grosso do Sul, além de um ex-deputado da mesma legenda, aparecem no livro-caixa que o Ministério Público rotulou de mensalão do Zeca do PT. Um dos deputados federais citados é Vander Loubet, sobrinho do ex-governador e integrante da Comissão de Educação da Câmara.   O outro é Antônio Carlos Biffi, titular da mesma comissão e ex-vice-líder do PT na Casa. O livro-caixa indica que, entre agosto de 2004 e março de 2005, Loubet e Biffi teriam recebido R$ 25 mil mensais cada um. Os lançamentos mostram que Loubet pode ter recebido mais R$ 150 mil, em três parcelas, naquele período.     De acordo com as investigações do Ministério Público, João Grandão, ex-deputado do PT, teria ficado com R$ 100 mil. Ele já é acusado pela Procuradoria da República por envolvimento com a máfia das sanguessugas - o esquema de desvio de recursos da União por meio de fraude em licitações para compra de ambulâncias e equipamentos hospitalares para prefeituras com recursos de emendas ao Orçamento.  O documento, de capa preta, foi localizado na residência de Salete Terezinha de Luca, ex-ordenadora de despesa da Secretaria de Coordenação-Geral do Governo. Ela admitiu ter preenchido de punho próprio as 100 páginas do livro que a promotoria considera como prova da existência do mensalão de Zeca do PT. O Ministério Público não questionou Salete Terezinha de Luca sobre Delcídio porque não tem competência legal para isso.

Mais conteúdo sobre:
mensalão Zeca do PT

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.