Delcídio do Amaral foi alçado à liderança do governo por ter jogo de cintura política

Senador é um dos mais próximos interlocutores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na bancada do partido e tem bom relacionamento com a presidente Dilma Rousseff

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2015 | 13h18

BRASÍLIA - O líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), é um dos mais próximos interlocutores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na bancada do partido e tem bom relacionamento com a presidente Dilma Rousseff desde que era diretor de Gás e Energia da Petrobrás, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Foi nessa época que ele trabalhou na estatal com Néstor Cerveró, hoje o seu algoz na Operção Lava Jato, da Polícia Federal.

Delcídio conheceu Dilma quando ainda era filiado ao PSDB e sempre elogiou a sua capacidade de trabalho. Na ocasião, ela comandava a Secretaria de Energia, Minas e Comunicações do governo do Rio Grande do Sul. Tanto Delcídio como Dilma se filiaram ao PT em 2001.

Eleito em 2002 para o Senado, ele ganhou projeção ao presidir, três anos depois, a CPI dos Correios, que investigou denúncias de compra de votos em troca de apoio parlamentar no governo Lula, escândalo conhecido como “mensalão”.

Indicado por Dilma em abril deste ano para assumir a liderança do governo no Senado, no lugar de Eduardo Braga (PMDB), hoje ministro de Minas e Energia, Delcídio logo se aproximou do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e, nos últimos dias, tentava acelerar a votação das medidas do ajuste fiscal. “Temos de sair logo dessa pauta do ajuste para entrar na agenda da retomada do crescimento”, dizia ele.

Nos bastidores, o senador brincava que era preciso criar o Ministério do “Vai dar Errado” para alertar o governo de todos os “jabutis” e “cascas de banana” que eram postos pela oposição e até por aliados no caminho do Palácio do Planalto.

Engenheiro eletricista, Delcídio preside a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e é conhecido por ter bom trânsito com parlamentares de oposição, especialmente do PSDB. No PT, o comentário é que ele “nunca foi muito petista”, mas acabou alçado à liderança do governo por ter jogo de cintura política.

Delcídio concorreu ao governo do Mato Grosso do Sul no ano passado. Passou para o segundo turno, mas foi derrotado por Reinaldo Azambuja (PSDB). Foi diretor da Eletrosul no começo da década de 90 e chegou a ser ministro de Minas e Energia, por nove meses, durante o governo de Itamar Franco.

O senador entrou no PT pelas mãos de Zeca do PT, que foi governador do Mato Grosso do Sul e apresentou o pecuarista José Carlos Bumlai a Lula. Bumlai foi preso na terça-feira, na 21.ª fase da Operação Lava Jato, batizada de “Passe Livre”.

Com o nome citado em delações premiadas, Delcídio havia sido excluído das investigações pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Em março, a pedido de Janot, o Supremo decidiu arquivar uma investigação contra ele, considerada “muito vaga”.

Operador do PMDB no esquema de corrupção da Petrobrás, o lobista Fernando Baiano afirmou, em delação premiada, que entregou a um “amigo de infância” de Delcídio uma quantia entre US$ 1 milhão a US$ 1,5 milhão – que seria resultante de propina obtida com a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos - para bancar a primeira campanha do senador ao governo de Mato Grosso do Sul, em 2006.

Segundo Baiano, os pagamentos foram acertados porque Nestor Cerveró, então diretor de Internacional da Petrobrás, disse estar sendo “pressionado” por Delcídio. O senador negou as acusações. “No meu ponto de vista, um delator não pode fazer delação premiada dizendo que ele “ouviu dizer” e sem ter exatidão dos números citados. Tem de ter provas”, afirmou Delcídio, em outubro, ao rebater as acusações do lobista.

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