UESLEI MARCELINO|REUTERS
UESLEI MARCELINO|REUTERS

Delcídio cita Gleisi Hoffmann e Humberto Costa em delação

Documento foi homologado na noite desta terça-feira pelo Superior Tribunal Federal (STF)

Eduardo Rodrigues, Beatriz Bulla, Gustavo Aguiar, Adriano Ceolin e Fábio Fabrini, O Estado de S.Paulo

15 Março 2016 | 13h29

Em delação premiada homologada na noite de segunda-feira, 14, no Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Delcídio Amaral (PT-SP) cita a atuação de senadores petistas em negociatas para a obtenção de recursos para campanhas eleitorais aos cargos do Legislativo.

No acordo firmado com a Procuradoria-Geral da República para colaborar com as investigações, Delcídio avaliou que "se deve dar atenção especial" para o período no qual a ex-ministra-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), foi diretora financeira de Itaipu, quando vários negócios envolvendo obras teriam passado pelas suas mãos.

 

"O mesmo vale para as concessões do Porto de Santos, quando a mesma, como chefe da Casa Civil, teve atuação decisiva na definição das áreas leiloadas", acrescentou o delator.

Delcídio afirma ainda que é "de notório conhecimento" a relação de Gleisi com a empresa Consist. Segundo ele, a Consist acompanha a senadora e seu marido - o também ex-ministro de Dilma, Paulo Bernardo - desde a época em que foram secretários do ex-governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT.

"A Consist, sempre atuou como braço financeiro dos mesmos, e como mantenedora das despesas do mandato da senadora Gleisi, nos últimos anos. Existem provas incontestáveis sobre isso", disse Delcídio aos investigadores. De acordo com ele, Paulo Bernardo sempre foi o "operador" da esposa.

Em nota enviada à imprensa, a assessoria de Gleisi afirmou que "os comentários" de Delcídio "não apontam qualquer ilícito", "muito menos indícios que levem a esses ilícitos" que envolvam os nomes da senadora e do marido, Paulo Bernardo. "São ilações apoiadas em matérias que já foram veiculadas pela imprensa." 

 

No documento de delação, Delcídio também alega que o senador Humberto Costa (PT-PE) "agiu com desenvoltura" na Refinaria de Suape (PE). "Ele foi parceiro, entre outras empresas, da White Martins, que sempre contribuiu decisivamente para suas campanhas", afirmou.

Segundo o delator, o "operador" de Humberto Costa no esquema é o empresário Mario Beltrão. Além disso, Delcídio cita a proximidade do senador pernambucano com o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

Delcídio deixou a prisão em 19 de fevereiro, após ter ficado quase três meses na cadeia acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. 

 

Mais conteúdo sobre:
Operação Lava Jato

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.