Delatora diz que governador da Bahia negociou caixa 2 para campanha de 2014

Segundo Danielle Fontelles, da agência de publicidade Pepper, tesoureiro da equipe de Rui Costa, a quem procurou a mando do petista, disse que parte do pagamento de serviços prestados viriam da OAS

Fábio Fabrini, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2016 | 16h34

BRASÍLIA - Em delação premiada cujos depoimentos embasaram a Operação Hidra de Lerna, deflagrada nesta terça-feira, 4, a empresária Danielle Fontelles, da agência Pepper, afirmou que o governador da Bahia, Rui Costa (PT), participou da negociação de pagamento de despesas de sua campanha via caixa 2.

A Pepper foi contratada em 2014 para prestar serviços de internet para a campanha de Rui Costa. Conforme Danielle, numa reunião, o petista disse a ela que seriam pagos R$ 1,9 milhão à agencia e recomendou que ela procurasse o tesoureiro de sua equipe, Carlos Martins Marques e Santana, pois ele viabilizaria o "acerto".

Segundo a delatora, Santana explicou que o pagamento seria de forma fracionada. O PT arcaria com R$ 633 mil. Outros R$ 725 mil,  não declarados, viriam da OAS. O restante do valor seria pago por uma fonte inicialmente não indicada. 

Para viabilizar os repasses de caixa 2, sustenta a colaboradora, a OAS firmou com a Pepper um contrato de prestação de serviços superfaturado. Cerca de 70% do valor pago cobriu despesas de campanha, revelou ela.

A PF fez nesta terça buscas em endereços da OAS e de seus dirigentes. Os investigadores buscam mais provas para instruir as investigações. Um dos objetivos é verificar se a empreiteira recebeu vantagens, como negócios com o Governo da Bahia, em troca da doação ilegal, e se parte do valor repassado à Pepper foi entregue a terceiros.

A PF pediu busca e apreensão no gabinete do governador, mas o Superior Tribunal de Justiça negou. A Procuradoria-Geral da República deu parecer contra a medida. 

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