Delator envolve assessor do Palácio em esquema de corrupção

Chefe de gabinete de Edinho Silva é apontado por Ricardo Pessoa como o responsável por negociar doações

Andreza Matais, Ricardo Della Coletta e Fábio Fabrini, Brasília

27 de junho de 2015 | 16h55

O chefe de gabinete do ministro Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação Social, Manoel de Araújo Sobrinho, foi apontado pelo dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, como o responsável por acertar doações de R$ 7,5 milhões à campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014, supostamente obtidos por meio de achaque à empreiteira.

Conforme reportagem da revista “Veja” publicada neste sábado, em depoimento prestado em regime de delação premiada, Pessoa contou que aceitou fazer contribuições oficiais à coligação de Dilma após conversa com Edinho Silva, na qual o ministro, então tesoureiro da campanha, teria vinculado as doações a contratos na Petrobrás.  

“O senhor tem obras no governo e na Petrobrás. O senhor quer continuar tendo?”, teria questionado Edinho, ao abordar a questão com o empresário. Detalhes dos pagamentos, feitos em três parcelas, foram combinados com Sobrinho, segundo a revista.

Sobrinho era assessor da Secretaria de Relações Institucionais até o ano passado, quando deixou o cargo para trabalhar no comitê financeiro da presidente, ao lado de Edinho. Em 19 de maio deste ano, foi nomeado chefe de gabinete do ministro. No ano passado, ele doou R$ 24,8 mil para a campanha de Dilma.

Em entrevista neste sábado, 27, Edinho disse que as acusações atribuídas a Pessoa são inverídicas. Ele saiu em defesa do auxiliar e adiantou que ele permanece no cargo. “Ele (Sobrinho) cuidava da parte legal das doações. Quando eu fazia o debate com o empresariado e o empresário se dispunha a fazer (contribuição), ele cuidava do processo legal, porque a legislação pressupõe um processo burocrático das doações”, afirmou o ministro. “Estou fazendo questão de que ele permaneça no cargo para que eu possa ter alguém da minha confiança ao meu lado”, acrescentou.

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