Delator elogia Supremo; delatado se isola em casa

Para Jefferson, decisão da Corte foi ‘vitória da lei sobre a passeata’, mas ex-deputado diz querer definição das penas; Dirceu fica recluso no interior

Luciana Nunes Leal e Pedro Venceslau,

19 de setembro de 2013 | 00h23

Delator do esquema do mensalão em 2005, o deputado cassado Roberto Jefferson chegou nesta quarta-feira, 18, sorridente ao escritório, no centro do Rio, onde o aguardava o professor de canto Leonardo Páscoa. Pouco antes, em Brasília, o ministro Celso de Mello havia concluído o voto pela admissão dos embargos infringentes no Supremo Tribunal Federal. E em São Paulo, o ex-ministro José Dirceu de novo se via em caminho oposto ao de Jefferson: evitou jornalistas e amigos para acompanhar, recluso, a decisão que adiou sua sentença final no julgamento do mensalão.

Jefferson não acompanhou o voto de Celso de Mello, mas soube por meio de assessores e de seu advogado que a Corte havia tomado uma decisão favorável aos réus. "O Supremo afirmou que a democracia não é o regime da passeata, é o regime da lei. É a vitória da lei sobre a passeata. O Supremo não é a casa dos black blocs", disse o ex-deputado, presidente licenciado do PTB, condenado a 7 anos e 14 dias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Embora não tenha direito a novo julgamento, Jefferson se disse feliz, em especial pelo ex-colega de Câmara José Genoino (PT-SP), condenado a 6 anos e 11 meses. "Torço muito pela redução (da pena) do Genoino. Ele não decidia, a decisão era do José Dirceu. Genoino era o presidente (do PT) de direito, mas não era de fato", afirmou. Em relação ao ex-ministro, não arrisca previsão. "Não quero o mal do Zé Dirceu, sou condenado como ele."

Naquela hora, o ex-ministro estava recluso em Vinhedo. No apartamento da Vila Mariana, zona sul da capital, onde Dirceu viu as sessões anteriores do STF, apareceu apenas um assessor que, perguntado pelos jornalistas, chegou a dizer que o petista estava no local. Depois, afirmou que o despiste era um pedido do cliente, que estava em seu sítio. Com a aceitação dos recursos que lhe garantem novo julgamento pelo crime de formação de quadrilha, Dirceu optou pela discrição para evitar acirramento de ânimos no Supremo.

Prisão. Enquanto Celso de Mello proferia o voto, Jefferson estava no dentista. Faz tratamento para amenizar os danos da quimioterapia a que se submeteu após retirar um tumor no pâncreas, no ano passado. Foram necessários cinco implantes de dentes. "Não tenho medo de nada na vida, só de dentista", brincou. "Não assisto às sessões, é um sofrimento muito grande, um espancamento moral público."

Jefferson tem direito a cumprir pena em regime semiaberto e diz estar pronto para isso. "As penas terão que ser executadas. Então, que se executem as penas, sem postergar o sofrimento. Ruim é não ter definição."

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